Sociedade / Política


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Criticas dos militares às rações de combate
Empresa espanhola continua a fornecer F.A. portuguesas
24.09.2012


A questão da compra das rações de combate para as forças armadas portuguesa foi mais uma vez razão de crítica por parte das associações militares, que criticaram o governo português por estar a adquirir rações de combate espanholas, as quais não têm nenhum dos seus componentes fabricados por empresas portuguesas. A questão foi mais uma vez levantada no fim de semana, embora o «timing» possa estar segundo alguns críticos, relacionado com pressões de alguns partidos políticos para que os militares se juntem aos protestos contra as medidas de austeridade do governo de Portugal.

No entanto, a responsabilidade pela aquisição das rações de combate espanholas é das forças armadas, já que estas têm autonomia para decidir a quem adquirem aquelas refeições, já que é matéria do foro militar.

A aquisição de refeições espanholas começou com o 17º governo, do primeiro ministro José Sócrates.

A situação é conhecida e vem pelo menos desde 2006. Em 2010 foi conhecido publicamente um problema com rações de combate enviadas para tropas portuguesas em missões no médio-oriente que se encontravam fora de prazo de validade, tendo havido referências a rações com componentes estragados.

Tentámos perceber a razão desta situação e segundo foi possível apurar aparentemente as forças armadas portuguesas estão condicionadas pela necessidade de obedecer a regras internacionais que obrigam à realização de concursos públicos em que participem empresas de vários países europeus.
Alegadamente não existe nenhuma empresa portuguesa que obedeça às necessidades. Assim, a empresa escolhida pelos militares foi a JOMIPSA, de Alicante na região autónoma espanhola de Valência.
Trata-se de uma empresa com certificação de qualidade ISO9001. Esta certificação dá pelo menos em principio garantias de qualidade que empresas portuguesas não estão em condições de garantir.

Os dois pratos principais
Embora existam em Portugal fabricantes de comida enlatada e vários dos produtos que fazem parte da ração de combate, a integração de todos os componentes constituintes teria que ser feita por uma outra empresa, a qual teria que investir em processos custosos para certificação e para responder às exigências standard para fornecimento a forças militares da NATO, que devem obedecer à norma STANAG 2937 [1].

A ração de combate fornecida a Portugal pela empresa espanhola é relativamente rudimentar, e deverá ter um valor estimado entre os €4,50 e os €6,00 por unidade e este valor depende da versão.

As forças portuguesas recebem um pacote que contem (havendo variações) o seguinte:

1 lata de 300g de carne de vaca em molo de legumes (Jardineira)
1 lata de «Rancho» (carne de porco, rodelas de chouriço e morcela)
1 lata de sardinhas em conserva
1 lata de paté de fígado

1 embalagem de doce de morango ou geleia
3 pacotes de bolachas sem sal
1 pacote de leite em pó meio gordo
2 pacotes de açucar
2 pacotes de sal

1 embalagem de lenços de papel
1 pacote de acendalhas quimicas
1 dispositivo de aquecimento (onde se colocam as acendalhas)
1 pacote com comprimidos para descontaminar água
1 carteira de fósforos
1 saco para o lixo


Segundo os defensores da aquisição deste tipo de produto, trata-se de um menu adequado ao gosto português e a ração não é muito diferente da ração standard de combate para alguns países europeus, no entanto não se nega que o kit português tenha sido «emagrecido» eventualmente por razões de custo.
O kit português não possui como outros, embalagens de queijo, café ou chá, além de barras energéticas e chocolate (aparentemente estas barras estão disponíveis em apenas alguns dos kits, já que existem vários e alguns são pensados consoante a temperatura).

Um dos tipos de sistema de aquecimento
O kit é além do mais idêntico em países do sul da Europa. França, Itália e Espanha possuem kits de refeição equivalentes, ainda que com valores energéticos distintos e com alguns dos adicionais removidos.
Exércitos europeus, por razões de custo também têm cortado em adicionais dispensáveis nas rações.
Outras forças estão a utilizar também kits de ração coletiva, que podem ser utilizados em situações operacionais menos exigentes.

Os europeus utilizam sistemas diferentes dos norte-americanos, que basicamente reduziram a utilização de latas de metal. Segundo os europeus, esse tipo de sistema tem custos mais elevados e o aquecimento da comida não é dos mais eficientes[2]. Os militares americanos recebem uma MRE (Meal Ready to Eat) por refeição, enquanto que por norma os europeus recebem um kit para duas refeições.

Embora não haja confirmação, alguns dos kits europeus poderão ser reciclados. Conservas em lata, que normalmente têm um prazo de validade bastante dilatado, podem ser reutilizadas dentro dos limites previstos para o kit, enquanto que embalagens de plástico com bolachas, geleias e compotas são removidos.




[1] – A norma STANAG 2937 determina a existência de cinco tipos distintos de refeições.
O prazo minimo para utilização das rações de combate é de 18 meses para as refeições mais ligeiras (geleias chocolates etc) e de 36 meses para as refeições mais pesadas, enlatadas.
O valor calórico também varia segundo o tipo de kit de refeição.


[2] - Os militares americanos colocam a embalagem de comida principal num saco com um reagente qúimico. Quando se junta água a reação química faz esta ferver, aquecendo a comida.


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