Geoestratégia


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Ameaça de guerra pela água
Rio Nilo pode levar Egito e Etiópia a conflito
13.06.2013


No meio de várias convulsões no médio oriente, guerra civil na Síria, instabilidade na Líbia e mal-estar em algumas das monarquias absolutas do golfo, problemas com a ditadura islâmica iraniana e com o partido no governo na Turquia, surge um novo problema, agora entre países que não têm sequer fronteira entre si, mas que partilham o mesmo rio, o Nilo.

Desde Março de 2012 que o governo da Etiópia anunciou que prevê para breve o inicio das obras com vista a construir uma barragem para utilizar a água do rio Nilo, na região do Alto Nilo, para permitir a produção de energia elétrica.
A central deverá criar um lago na região de Abatimbo, a 40km da fronteira entre a Etiópia e o Sudão. A potência instalada será de 6000 MW [1] o que a transformará na maior barragem do continente africano.

Tanto o Egito quanto o Sudão já têm por diversas vezes levantado sérias reservas ao projeto etíope, nomeadamente por o considerarem ilegal à luz de acordos celebrados durante a década de 1950. Mais recentemente, o presidente sudanês Omar Al Bashir, anunciou que o Sudão tinha mudado de posição relativamente à rejeição da barragem, mas o Egito continuou a mostrar-se muito cético e a exigir vistorias que permitissem sanar todas as dúvidas.

Ameaça egípcia
No meio de uma situação relativamente tensa, na passada quarta-feira dia 12 de Junho, o presidente do Egito, Mohamed Mursi da Irmandade Muçulmana, voltou a avisar que «todas as opções estavam em aberto».

As declarações do presidente egípcio, são encaradas por alguma imprensa como uma afirmação clara de que o Egito poderá até desencadear operações militares contra a Etiópia, destruindo a barragem, caso as obras vão em frente sem a anuência do governo do Cairo.

As afirmações de Mursi têm no entanto sido desvalorizadas, dado terem sido proferidas numa reunião política junto a aliados políticos da Irmandade Muçulmana, o partido do presidente.
As declarações seriam por isso uma forma de agitar as águas a mexer com o espirito nacionalista egípcio.

Mohamed Mursi: O Egito mantém todas as possibilidades em aberto e defenderá os seus interesses custe o que custar
Independentemente destas considerações, a possibilidade de conflito entre os dois países existe, já que o Egito tem capacidade para atacar posições em território etíope.
O Egito mantém ao serviço algumas dezenas de caça-bombardeiros F-4 Phantom e Mirage-2000. Além disso a força aérea egípcia, conta ainda com fortes contingentes de caças de fabrico norte-americano F-16A e F-16C mais recentes com capacidade para reabastecimento em voo e bombardeamento de precisão.

Já a Etiópia ainda que com uma população de 94 milhões de habitantes face a 85 milhões de egipcios, é um país muito mais pobre e proporcionalmente quase desarmado, com um PIB real de 42,000 milhões de dólares contra um PIB real de 255,000 milhões do Egito. A sua força aérea conta com um esquadrão equipado com menos de uma dúzia de caças Su-27 e outro pouco mais de uma duzia de caças MiG-21MF.

Qualquer conflito na região, terá quase que imediatamente repercussões no Sudão e no Sudão do Sul, bem assim como na Somália, país que foi alvo de uma intervenção do exército da Etiópia em 2005, com o intuito de remover grupos fundamentalistas do poder na capital do país.



[1] - A título de comparação a barragem de Cabora Bassa em Moçambique tem 2000 MW e a barragem de Iguaçu na fronteira entre Paraguai e Brasil tem 14,000 MW de potência instalada)


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