Nem se enterram os mortos, nem se cuida dos vivosFalência do Estado torna ajuda internacional muito complicada14.01.2010
A total falência do estado Haitiano, que praticamente já não existia e pura e simplesmente parece ter desaparecido, é um dos principais problemas a resolver após o abalo sísmico que afectou o Haiti há 48 horas atrás.
O terramoto de grau 7 na escala de Richter, que afectou especialmente a capital do país, Port-au-Prince e terá morto 50.000 pessoas, destruiu milhares de habitações e infra-estruturas, mas passadas 48 horas a principal nota da imprensa internacional, de jornalistas que se deslocaram para o país e de informações disponíveis das redes sociais, é a absoluta falta de estruturas mínimas de apoio às populações, que estão completamente abandonadas.
Não se enterram os mortos e não se pode cuidar dos vivos
As palavras históricas do Marquês de Pombal após o terramoto de Lisboa em 1755, não se poderiam aplicar no Haiti. Não se podem recuperar sobreviventes porque faltam buldozers e equipamentos pesados para tentar salvar as pessoas que ainda se encontram sob o escombros. Os Hospitais não existem e os que existiam foram destruídos ou severamente afectados.
Assim como o país não tem organismos de protecção civil e de emergência, também não tem sistemas de apoio sanitário que possam ser accionados. Neste momento o Haiti não tem os meios e a organização mínima necessária sequer para decidir onde enterrar os mortos.
A falta de sistemas de apoio sanitário nota-se também na falta de abastecimento de água e distribuição de alimentos. Não há policia e a população da cidade está nas ruas, sem casa, sem comida, sem água e sem qualquer segurança.
As forças das Nações Unidas foram afectadas pela catástrofe e ainda não estão em condições de reassumir as suas funções nem têm neste momento capacidade para responder às necessidades.
 | O palácio presidencial em Port-au-Prince: Imagem viva da falência total do estado Haitiano | Apoio internacional
Vários países já preparam o envio maciço de apoio humanitário, mas a falta de estruturas locais torna toda a operação mais complicada.
Às primeiras horas desta Quinta-feira, o pequeno aeroporto da capital do país, que não foi especialmente afectado pelo terramoto, teve que começar a desviar aeronaves que pretendiam aterrar, porque não havia espaço para parquear as aeronaves.
Mesmo que as aeronaves possam aterrar, outro problema se coloca, pois o aeroporto não tem estruturas sequer para abastecer de combustível o grande numero de aeronaves que se espera cheguem ao Haiti com ajuda humanitária.
Entre as soluções possíveis, vários países estão a considerar a possibilidade de utilizar aeroportos da vizinha República Dominicana. O problema que se levanta, é o da distância e das estradas. Entre a capital dominicana e a capital do Haiti distam 330km e a viagem dura entre 5 a 7 horas.
Tropas norte-americanas foram enviadas para o Haiti e controlam já a região do aeroporto. Um total de 2.000 fuzileiros navais também deverão ser enviados nas próximas horas. Os norte-americanos enviaram para as águas do Haiti o porta-aviões Carl Vinson que deverá operar como centro nevrálgico das operações.
As forças norte-americanas não serão incluídas em nenhum tipo de comando e quando a questão do comando foi colocada, os militares americanos afirmaram que estarão apenas na dependência do próprio presidente do Haiti, que estabeleceu a presidência na região do Aeroporto de Port-au-Prince, onde se encontram as forças americanas.
Vários países também preparam o envio de equipamentos, víveres, água e equipas de salvamento por via aérea.
Plano de auxilio brasileiro
As autoridades brasileiras delinearam um plano de acção destinado a ultrapassar alguns dos principais problemas que se colocam. Está em preparação um plano destinado a permitir o enterro dos mortos de forma organizada, para retirar muitos dos mortos das ruas evitando assim a possível propagação de doenças.
Um navio brasileiro com equipamento de purificação de água deverá ser brevemente enviado para o Haiti, onde a falta de água potável se torna um dos principais problemas.
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