Sociedade / Política


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Profírio Lobo é o novo presidente de Honduras
Zelaya viaja para Rep.Dominicana
28.01.2010

Porfírio Lobo foi ontem empossado como presidente de Honduras, na sequência de uma eleição realizada no passado mês de Dezembro.
A tomada de posse ocorre depois de um período turbulento na vida política do país centro-americano, onde os militares levaram a cabo uma operação de deposição do presidente da república, Manuel Zelaya, após este ter desobedecido em várias ocasiões ao poder judicial e desrespeitado o sistema constitucional hondurenho.

Recentemente, a acção dos militares foi posta em causa pelo supremo tribunal de justiça, onde chegou a ser questionada a acção dos militares, por eventualmente não terem mandato para prender o então presidente Zelaya.
Porém, alguns dias antes da tomada de posse do novo presidente, os juízes analisaram a questão e confirmaram que os militares e o presidente interino agiram segundo a ordem constitucional estabelecida e em respeito pelas leis do país.

Exemplo de intervenção militar e mensagem para o mundo

Num continente manchado pelas intervenções de militares, tanto de esquerda como de direita e onde ditaduras cruéis como a Chilena, a Argentina ou a Cubana se pautaram pela intervenção militar ou para-militar violenta, a intervenção dos militares hondurenhos foi anormalmente exemplar e demonstrou que a América Latina parece caminhar no sentido da normalização, rejeitando ditadores oportunistas e dirigentes populistas.

Pela primeira vez na História da América Latina, os militares saíram à rua não para depor um governo e colocar um militar no poder, mas para cumprir as ordens do poder judiciário, da Corte Suprema e para fazer cumprir a constituição.

Ditadores horrorizados

Ao deter a tentativa do populista Manuel Zelaya de tomar o poder e instaurar um regime afiliado ao de Hugo Chavez, os militares e o presidente interino, Roberto Micheleti [1] atrairam sobre si a atenção internacional e também a ira «furibunda» do proto-ditador venezuelano Hugo Chavez, que havia financiado Manuel Zelaya e que lhe tinha dado todos os meios para prosseguir com sua tentativa de tomada de poder, nomeadamente chegando a imprimir as cédulas/boletins de votação para o referendo ilegal que pretendia implementar. Chavez afirmou que temia que na Venezuela ocorresse algo parecido.

Inicialmente Manuel Zelaya foi apresentado como vítima de um golpe de estado tradicional, e o governo da Venezuela chegou ao ponto de patrocinar a volta de Manuel Zelaya à capital hondurenha onde pediu asilo na embaixada do Brasil e de onde começou fazendo comícios e manifestações públicas, instigando seus partidários à revolta popular.

República das Bananas

A questão hondurenha foi condicionada por um fator importante, relacionado com a facilidade com que os regimes e os presidentes mudavam nete país, conforme as necessidades dos produtores de bananas norte-americanos que se tinham instalado em Honduras. Essa realidade histórica, que levou ao aparecimento da expressão «República bananeira» teve sua origem exatamente em Honduras.

Esta realidade e a falta de informação terão levado a que numa primeira fase, influenciados pela quase histeria dos dirigentes da extrema esquerda latino-americana, os governos dos Estados Unidos e da Europa criticaram a ação dos militares hondurenhos. Porém essa situação foi evoluindo até que os Estados Unidos negociaram a aceitação da realização de eleições.

As eleições decorreram de forma normal e com uma participação record, ainda que o regime cubano tenha criticado o ato eleitoral, que também não foi reconhecido por Chavez.
Os apoiantes de Zelaya, que o mundo tinha sido levado a acreditar serem a grande maioria da população do país, não eram na realidade representativos, como se comprovou pela uma derrota eleitoral humilhante que seus partidários sofreram.

A maioria dos países europeus e os Estados Unidos reconheceram as eleições como livres e justas e embora não tenham apoiado o golpe que depôs Zelaya, aceitaram tacitamente Porfírio Lobo como presidente interino, e hoje oficial, de Honduras.

Brasil refém de Zelaya

O governo brasileiro se viu envolvido na complicada trama hondurenha. A escolha da embaixada brasileira não foi ocasional. Procurado pela justiça depois de ter saído do país, e não podendo se refugiar na embaixada norte-americana ou numa embaixada europeia, Zelaya escolheu a embaixada de um país sul-americano que poderia dar garantias de mantê-lo no país e com um peso específico que fizesse o governo hondurenho pensar duas vezes antes de invadir uma embaixada..
Para o Brasil, a situação foi complicada do ponto de vista diplomático, pois uma embaixada não pode ser utilizada para fazer propaganda política. Segundo analistas brasileiros a posição assumida por Lula da Silva, que continuou a chamar o presidente interino de «golpista», colou Lula a Hugo Chaves e impediu o Brasil de tomar uma posição mediadora.

Lula da Silva, presidente brasileiro: Depois de enfiar o chapeu de Zelaya, não há como tira-lo sem perder a cara.
Internacionalmente a crise hondurenha acabou sendo um péssimo negócio para a afirmação internacional do Brasil, que não conseguiu demonstrar nenhuma capacidade de intervenção e influência, vendo-se reduzido à condição de hospedeiro de um hóspede cada vez mais incómodo.

A relação entre o Brasil e Honduras deverá demorar para melhorar e em Brasília fontes próximas do Itamaratí afirmam que Lula não reconhecerá o novo governo. A normalização de relações só ocorrerá depois de o Brasil eleger um novo presidente, o que só ocorrerá dentro de um ano.


[1] – Roberto Micheleti era o presidente da assembleia de deputados de Honduras e por determinação constitucional, quando o presidente é deposto, é o presidente da assembleia que assume o cargo.


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