Força Aérea


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Russos mostram PAK-FA
Avião «Stealth» russo é derivado do Su-27
29.01.2010

O primeiro voo do há muito esperado e desenhado caça de quinta geração russo, realizou-se nesta sexta-feira na Russia oriental em Komsomolsk-na-Amur onde foi feita uma demonstração pública do Sukhoi T-50 ou projecto PAK-FA, como também é conhecido.
A aeronave foi concebida pela fábrica KnAAPO, uma das empresas que fabrica aeronaves sob a designação Sukhoi, tendo utilizado a mesma linha de montagem.

Desde que os Estados Unidos lançaram nos anos 80 os seus projectos de aeronave com capacidade para iludir os radares ou pelo menos para aparecer perante os radares inimigos com uma pequena assinatura, que a União Soviética lançou o seu próprio programa de aeronave de quinta geração.
Várias tentativas foram feitas para produzir uma aeronave que fosse superior em termos de mobilidade e que também apresentasse a menor assinatura nos radares que fosse possível.

Várias propostas foram apresentadas e a maioria rejeitada por causa dos enormes recursos necessários para o desenvolvimento. O colapso da União Soviética destruiu a maior parte da industria aeronáutica russa, cujas estruturas foram envelhecendo, tornando-se cada vez menos eficazes.

Os vários projectos (que nunca passaram disso) foram amplamente divulgados pela imprensa russa, embora os projectos russos na maior parte dos casos fossem claramente inspiradas nos seus congéneres norte-americanos.

As características do caça russo de quinta-geração deveriam ser - segundo a imprensa - absolutamente demolidoras e mais avançadas que as de qualquer outra aeronave existente.

Durante anos, o mundo aguardou o PAK-FA, tendo por referência as imagens de um caça futurístico e revolucionário. A imagens finalmente mostradas constituem em parte uma desilusão.




Com a divulgação final das imagens do primeiro voo do caça T-50, a maior parte dos projectos e das visões artísticas caiu por terra, ao se tornarem evidentes as coincidências entre o vetusto Su-27, uma aeronave cujo desenvolvimento tem mais de trinta anos e o novo T-50 / PAK-FA.

Aquilo que há bastante tempo se suspeitava acabou por se confirmar. O PAK-FA, sendo uma aeronave com muitas características novas, que são cada vez mais comuns nas aeronaves de combate, não consegue esconder que as suas proporções e configuração geral, é idêntica à do caça que lhe serviu de modelo base, o Su-27 «Flanker».

Os rumores de que a aeronave russa de «5ª geração» era apenas uma modificação muito significativa do caça Su-27 já tinham vindo a público há algum tempo, o que levou a especulações sobre algum tipo de relação entre o caça bombardeiro Su-34 (uma outra modificação do Su-27) e um eventual futuro caça «Stealth» russo. Essa relação não se confirmou, mas o Su-34 «Platypus» foi uma aeronave radicalmente modificada na parte da frente, tendo alegadamente uma assinatura radar bastante reduzida relativamente ao Su-27 original.

Já no PAK-FA, as modificações são essencialmente na traseira, onde os enormes lemes verticais – que sempre constituíram um problema porque transformam o Su-27 num alvo fácil - são modificados, afastados e colocados em ângulo, de forma a reflectir as ondas de radar.

Este simples procedimento, alterando um dos principais problemas apontados ao Su-27, deverá reduzir drasticamente a «assinatura» do caça perante radares adversários.

Ainda que a sua estrutura base seja a de um Su-27 «Flanker» não se pode considerar que se trata da mesma aeronave. Os caças Mig-21 também herdaram muitas das características do MiG-17, sendo aeronaves com a mesma «herança tecnológica» mas são diferentes porque o numero de modificações justifica uma nova designação.

O que muda do Su-27 para o PAK-FA

A industria da Russia tem continuado a desenvolver sistemas para as aeronaves da família Su-27, tendo mesmo lançado versões modernizadas, a mais recente designada Su-35.
Como a estrutura do PAK-FA e do Su-27/Su-35 é idêntica, a maior parte dos sistemas desenhados para o Su-35 também poderão ser utilizadas no PAK-FA.

A existência de muitos componentes comuns explica aliás a possibilidade de a aeronave vir a ser declarada operacional dentro de relativamente pouco tempo, permitindo um investimento no projecto, relativamente moderado e estimado em 6.000 milhões de Euros, embora varíadíssimas fontes apontem valores distintos.

Tratando-se de uma aeronave que tem como principal objectivo a redução da assinatura-radar perante os radares adversários, muitos esforços parecem ter sido desenvolvidos para tornar as linhas do novo avião mais doces, embora o cockpit e a carlinga se mantenham quase iguais.
A posição dos motores e as enormes entradas de ar, que foram ligeiramente modificadas, são idênticas às do «Flanker». A separação entre os dois motores é também idêntica. A estabilidade da aeronave por isso mantém-se.
Porém, ao manter uma estrutura base idêntica à do Su-27 não é dificil prever que o novo avião não deixará de apresentar uma assinatura-radar, mais elevadas que os seus equivalentes de 5ª geração.
Tratando-se de um protótipo, e sendo o «Flanker» uma aeronave de grandes dimensões, não é improvavel que a questão venha a ser resolvida.

Outra característica que os russos introduziram foi a de baías internas para o transporte de armamento, embora não se possa quantificar de forma minimamente fiável a quantidade e a capacidade das armas que poderão ser transportadas.

Projectos modificados: tradição russa

A industria russa, tem tradicionalmente demonstrado uma grande capacidade para estender a vida útil dos seus projectos por períodos de tempo que seriam impensáveis para os ocidentais.
Exemplo disso é a linha de viaturas blindadas, que evoluiu do T-54 para o T-72 e daí para modelos mais recentes que, tendo diferentes designações (T-80, T-90), são claramente resultado de um longo processo evolutivo.
As viaturas, são produzidas nas mesmas fábricas, mas embora os componentes sejam modificados e alterados, eles têm sempre em consideração a configuração base.
A maquinaria que molda e funda as peças não muda, e tudo o resto tem que se adaptar às necessidades.

O PAK-FA, também poderá ter «bebido» alguma influência do avião experimental Su-47, com as suas características asas invertidas.

Vantagem de ser antigo ?

Um caça resultado deste tipo de evolução, tem a vantagem de ter parte da estrutura industrial necessária já montada, reduzindo drasticamente a necessidade de desenvolvimento de novos sistemas.

O principal problema da industria russa, continua a ser o mesmo da industria soviética.
É mais fácil e mais barato tentar produzir algo novo a partir de algo que já existe. A tradição ultra-conservadora dos russos ajuda neste processo e isso explicará a razão pela qual o PAK-FA não é nem de perto nem de longa a aeronave hiper revolucionária que muitos poderiam esperar.

O PAK-FA somará às inumeras modificações estéticas e aerodinâmicas, novos sistemas de navegação, radares e motores mais modernos, que se encontram entre os mais sofisticados jamais produzidos, dado a Rússia ter mantido em alguns sectores uma posição de liderança.

A integração de sistemas deverá demorar alguns anos e embora a queima de etapas ao manter uma estrutura já conhecida permita tornar a aeronave operacional ainda durante esta década.

Quem são os rivais ?

Ainda que em termos de propaganda e publicidade o PAK-FA tente desafiar os caças norte-americanos, não é minimamente credível que a Rússia, com o orçamento que foi divulgado para o projecto, possa em tempo útil ser um contraponto aos fabricantes norte-americanos.

Em termos de mercado ele poderá apresentar-se como um rival à altura de qualquer caça europeu, embora partindo de uma aeronave de grandes dimensões como o Flanker (optimizado para a performance mas com uma assinatura-radar do tamanho de uma montanha) ele tenha um grande caminho a percorrer. Os engenheiros russos, podem saber desenhar caças, mas não podem contornar as leis da Física.

Jogando contra a possibilidade de exportação do PAK-FA, estarão exemplos como o do famoso MiG-25, uma aeronave que chegou a ser exportada, mas que foi incrivelmente sobrevalorizada pela imprensa, demonstrando ser uma espécie de «elefante branco».


Nesta imagem da parte traseira, tornam-se evidentes as origem do «novo» caça russo, quando comparado com a imagem abaixo, de um Su-27«Flanker»


Duvidas esclarecidas

A ligação agora tornada pública entre o PAK-FA e o Sukhoi Su-27 «Flanker» explica os custos de desenvolvimento que foram divulgados pela imprensa - nomeadamente a imprensa indiana - que colocam os valores em torno dos 4.000 a 5.000 milhões de dólares.
Esses valores seriam absolutamente incompatíveis com uma aeronave completamente nova, mas fazem todo o sentido quando se trata de uma derivação de uma estrutura base já existente.

As linhas de produção na Sibéria, não precisam de grandes modificações e a forma russa de montar aviões, que continua a ser semi-artesanal, deverá limitar a capacidade de produção de uma aeronave a cada três semanas.

Problemas para os caças F-22

Muitos analistas não esperavam ser surpreendidos pelo novo caça russo e a verdade é pelo menos para já, tudo indica que as expectativas são relativamente reduzidas.

A divulgação das imagens do novo avião de combate vem suportar as teses daqueles que nos Estados Unidos defendem a redução do número de aeronaves F-22 «Raptor» e F-35 «Lighting» (os caças que o PAK-FA deveria ter capacidade para defrontar).

Perante uma aeronave que aparenta ser um derivado de um modelo com trinta anos de vida, vai ser muito difícil para os generais norte-americanos, defender a atribuição de mais recursos para os caríssimos programas da força aérea norte-americana.

Mas também na Russia, se pergunta porque razão investir dinheiro nas aeronaves, quando em muitos sectores o dinheiro pura e simplesmente não existe.

Neste caso, a promessa política de Vladimir Putin de reerguer a imagem da Rússia como grande potência pode ser uma explicação.

O PAK-FA, poderá ser apenas uma grande operação de propaganda. Não haverá dinheiro para o miolo do avião, a não ser que algum governo com mais dinheiro que juízo, pense entrar com o capital.


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