Sociedade / Política


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Brasil vermelho !
Ex terrorista, chega à presidência
01.11.2010


Sem qualquer surpresa e confirmando os resultados das várias pesquisas de opinião, a comunista radical Dilma Rousseva ganhou neste domingo a eleição para a presidência da república, conseguindo 56% dos votos expressos, contra 44% do seu oponente, José Serra do Partido Social Democrata Brasileiro.

Rousseva tinha falhado a eleição na primeira volta (turno) quando falhou conseguir metade dos votos. Na altura a candidata do partido ecologista conseguiu roubar a vitória à candidata apoiada por Lula da Silva na primeira eleição. Os votos de Marina Silva foram divididos entre Serra e Rousseva, com uma pequena vantagem para Serra entre os eleitores da candidata ecologista.

Dilma Ivana Rousseva[1] é filha de Piotr Russev, um militante comunista e apoiante da linha estalinista, que imigrou para o Brasil em 1920. Nascida em 1947 em Minas Gerais, a militância comunista do pai, cedo influenciou a pequena Rousseva, que aos 17 anos de idade, após o golpe militar de 1964, iniciou uma militância activa em organizações comunistas, que optavam claramente pela luta armada como forma de chegar ao poder.

De terrorista a presidente da república
Rousseva recebeu treino militar, sabendo por isso utilizar armas de guerra. O movimento de que fazia parte, tinha pouca actividade e limitava-se no final dos anos 60 a assaltar bancos e a planear sequestros.
Rousseva participou na reorganização dos movimentos terroristas brasileiros, com a criação da Vanguarda Armada Revolucionária, uma organização para-militar, criada para prosseguir a luta armada com o objectivo de tomar o poder.
Dilma Rousseva foi aprisionada pelas autoridades no inicio de 1970. Na altura, e uma vez que era considerada como uma das cabecilha dos terroristas, foi submetida a vários tipos de tortura, com o objectivo de extrair informações sobre a estrutura da organização VAR. Esteve presa durante três anos e foi condenada a seis anos de prisão por um tribunal militar, que acabou comutando a pena para apenas 25 meses, tendo saído no final de 1972.

A partir daí, Dilma Rousseva passou a fazer oposição «legal» ao regime militar, que com a chegada ao poder de Ernesto Geisel se foi tornando gradualmente mais tolerante para com as oposições.

No partido de Leonel Brizola
Rousseva, participou com Leonel Brizola na criação do PDT, Partido Democrático Trabalhista. A partir de 1986, e até 1988 passou a assessora da bancada do PDT no estado do Rio Grande do Sul e destacou-se como organizadora das campanhas do partido depois de 1988. No ano seguinte foi nomeada Directora-Geral do município da capital gaúcha.
Durante os anos 90 Dilma Rousseva continua ligada ao partido de Leonel Brizola no Rio Grande do Sul, ocupando cargos de relevo, como a de secretaria de minas e energia, até que rompe com o partido no ano 2000 passando de armas e bagagens para o PT de Lula da Silva, quando esse partido conseguiu o governo do estado.

As mudanças de partido são comuns entre os políticos brasileiros e após ter chegado ao PT Rousseva foi recompensada quando Lula foi eleito presidente em 2002. Aproveitando a sua experiência no governo gaúcho, designou Rousseva como ministra das minas e energia do governo federal. Como ministra da pasta da energia, Rousseva entrou em conflito aberto com Marina Silva, ministra do ambiente, que também seria candidata em 2010.

Em Junho de 2005, após um escândalo de corrupção que abalou o governo Lula da Silva, Rousseva assume a pasta da casa civil (aproximadamente equivalente ao cargo de primeiro ministro) do governo Lula, tornando-se uma das personagens mais importantes do governo do PT.

Nos últimos anos, começou a ser evidente que Lula apoiaria Dilma Rousseva na candidatura a presidente, o que finalmente veio a acontecer.

Eleita pela primeira vez

A eleição de Dilma Rousseva, para a presidência da republica, é a primeira eleição na vida da candidata eleita. Dilma nunca disputou uma eleição e sempre conseguiu empregos públicos sem nunca ter conseguiu um único voto popular.

Esse aparenta ser o principal calcanhar de Aquiles da candidata, que é conhecida por ser impulsiva, radical, mandona e por nunca esquecer quem detesta.
Na maioria dos casos, a votação que conseguiu é resultado do apoio popular a Lula da Silva, que conseguiu uma elevada taxa de aprovação por parte do eleitorado brasileiro.

O Lula mandou votar na Dilma, a gente vota …

A votação que dá a presidência a Dilma Rousseva e desequilibra os pratos da balança, vem dos estados do norte e do nordeste brasileiro, as regiões mais pobres do país, e onde os apoios sociais mais se fizeram sentir.

Esses eleitores na maioria dos casos votam na candidata do PT, «...porque o Lula mandou votar...» como de forma ingénua, os habitantes das regiões mais deprimidas dizem para as emissoras de televisão nacionais e internacionais.

Nesses estados, há municípios muito pobres ou mesmo miseráveis, onde a votação em Dilma atinge os 94%.
Continua por explicar, porque com uma taxa de aprovação na casa dos 80% para Lula, ainda assim 44% dos eleitores escolheram o candidato José Serra do PSDB.
Quando se considera que os milhões de pessoas que receberam apoios sociais (em todos os estados brasileiros) ao longo dos últimos anos votaram em Dilma Rousseva por causa dessas politicas, torna-se impossível deixar de concluir que a votação no PT e em Dilma, foi parecida com a compra de votos e o «voto de cabresto» que era comum no Brasil na primeira metade do século XX.

Futuro incerto

O apoio de Lula da Silva, é a única coisa que Dilma sabe que tem. À medida em que quiser afirmar-se como presidente e não apenas como a candidata escolhida por Lula, Dilma terá que tomar decisões e aceitar compromissos, e compromissos é algo que Dilma não costuma gostar.

No entanto, a situação na Câmara dos Deputados e no Senado é favorável, porque os partidos que apoiam Dilma conseguiram uma clara maioria e os partidos que estão contra, estão claramente em minoria quer na Câmara quer no Senado.

O partido de Rousseva, conseguiu 88 dos 513 deputados na câmara e tem garantido o voto dos deputados do PMDB (79 deputados), PSB (34 deputados), PR (41 deputados) e PDT (28 deputados), totalizando assim uma maioria garantida de 270 votos ou 52,6% do total.
Os partidos que apoiam Dilma Rousseva também garantiram a eleição de 45 dos 81 senadores, ou seja 55,6% do total.

Porém Dilma terá agora que iniciar negociações para a partilha do poder entre os seus apoiantes, especialmente o PMDB, partido do vice-presidente, que continua a deter fortes posições em vários estados, que tem quase tantos deputados quanto o PT e que tem 20 dos 81 senadores contra apenas 14 do partido de Dilma Rousseva.


[1] - O nome da candidata foi alterado para Roussef, dando a impressão errada de que se trata de um nome de origem francesa. Na realidade, Dilma é de ascendência bulgara.


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