Força Aérea


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MMRCA indiano agita F/X-2 brasileiro
Confusão e guerra de informação entre concorrentes
15.02.2012


A decisão indiana de avançar para a fase final de discussão de detalhes em seu programa MMRCA de aquisição de aeronaves produziu um tremor no cenário brasileiro do programa F/X, que também é destinado a comprar aeronaves de combate, embora sua quantidade seja correspondente a um quarto das aeronaves a comprar pela Índia.

O fato de o Rafale nunca ter sido vendido, tem sido apresentado como um dos quesitos negativos da aeronave francesa, quando se compara com os outros dois concorrentes do programa brasileiro, o bimotor F/18 «Super Hornet» da Boeing e o monomotor JAS-39 Gripen «New Generation».

A venda do avião francês e ainda por cima a um cliente tão importante quando a India, despoletou uma torrente de informações e afirmações de vários setores, que acabaram tornando a questão ainda mais confusa.
O ministro da defesa, segundo informou alguma imprensa brasileira que chegou a citar agências internacionais, teria ido à India para conseguir informação sobre o contrato assinado entre a India e a França.
A troca de informações sensíveis, que não é impossível, é no entanto bastante improvável, ainda mais que neste momento, o processo indiano de negociação entre a Dassault e o governo da India está numa fase crucial de negociação, em que a divulgação de dados a um país terceiro seria algo de extremamente grave.
O ministro, trocou informação básica, mas não teve acesso a nenhuma informação privilegiada, que facilitasse a compra brasileira do Rafale.

A informação e a contra-informação acabam se cruzando sem resultar em nenhum resultado credível.
Segundo analistas brasileiros a encomenda da India, com mais de uma centena de aviões, deveria permitir baixar preços, mas parte das aeronaves serão montadas na India, o que não altera significativamente a estrutura de preços dos caças para o Brasil.

Também se sabe que há quem alegue que a França se tornou menos flexível na questão dos preços finais e do preço composto da aeronave e de seus componentes de reposição, porque afinal a importância do programa brasileiro é relativamente pequena quando comparada com a da India.
Sabe-se que a Dassault está investindo em sua instalação no Mexico, que no futuro poderá ser utilizada para produzir componentes (para motores) que poderão ajudar na redução de custos.

Dilma e Obama: Brasilia não pretende hostilizar Washington. A China compra mais, mas só compra produto agrícola
O governo brasileiro não pretende baixar a guarda e por isso continua fazendo pressão para que o preço do Rafale reflita algum abaixamento nos custos de produção no preço final composto.
Para isso, o governo deverá dar muita publicidade à visita da presidente Dilma Roussef aos Estados Unidos, que deverá ocorrer dentro de dois meses.
Os lobbies de defesa da proposta francesa estão preocupados com a visita da presidente brasileira aos Estados Unidos, onde a decisão brasileira sobre o programa F/X-2 não deixará de ser discutida.
Os brasileiros já avisaram que qualquer decisão sobre a compra de caças para a FAB só terá lugar depois da visita de Dilma a Obama, em 9 de Abril de 2012.

A pressão durante os próximos dois meses, deverá garantir aos negociadores brasileiros alguma capacidade de pressão adicional sobre os franceses.

O que se sabe sobre o programa ?

A enorme confusão provocada pelos vários lobbies, que invariavelmente dão seu avião como vendido não ajuda a entender o que se passa.

Tanto o atual ministro da defesa quanto o anterior, teriam preferência pela proposta da França, especialmente por razões estratégicas.
Essa tese se debate com o problema da colocação de todos os ovos no mesmo saco.
O Brasil também negociou com a França submarinos convencionais e o desenvolvimento do programa de submarinos nucleares brasileiros, um programa mítico, sem grande utilidade prática, mas que os brasileiros vêm como uma forma de afirmação política internacional do Brasil.
Também na marinha de superfície, está em estudo a aquisição de navios de guerra franceses.

Aeronaves comerciais e executivas da EMBRAER: Com o aumento da concorrência chinesa, o mercado norte-americano é crucial para a sobrevivência da empresa.
A EMBRAER, talvez o mais visível sinal de emergência tecnológica do Brasil na cena internacional, teme que não comprar caças aos americanos implique que a empresa terá muito mais dificuldade para vender seus aviões na América do Norte, onde a própria EMBRAER estima que esteja quase 40% do mercado para aeronaves comerciais de transporte até 120 passageiros [1].
Nos restantes mercados, a China tem uma posição muito forte e o Brasil dificilmente poderá competir. Os Estados Unidos são o maior mercado para as empresas brasileiras que incorporam alta e média tecnologia. O Brasil vende para a China, basicamente produtos agrícolas.

Muitos politicos e também militares brasileiros, continuam demonstrando desconfiança relativamente a eventuais fornecimentos de armamento americano, por temerem questões juridicas ou a negação de assistência aos equipamentos vendidos, em caso de conflito «não aprovado» pelos Estados Unidos. Essa desconfiança está relacionada com a irritação dos militares brasileiros depois das pressões americanas pós golpe de 1964 e está relacionada com o dogmatismo esquerdista e anti-americanismo primário de muitos governantes brasileiros, oriundos da extrema esquerda radical.

Entre dois polos, surge ainda o terceiro concorrente, que nos últimos tempos aparenta ter perdido terreno. A sueca SAAB, evita ao Brasil o constrangimento de dizer que não aos americanos, já que o motor do Gripen e alguns sistemas acessórios são americanos, ao mesmo tempo que compra produtos de um país europeu.

A questão do acesso aos sistemas de controlo da aeronave, dos sistemas de armas e da transferência de tecnologia.

Tanto a França quanto os Estados Unidos têm feito propostas continuadas ao Brasil com garantias de cedência de tecnologia em sistemas vitais, onde o acesso ao código-fonte do software dos sistemas de armas é vital para garantir total independência de ação.

O Brasil teme que os Estados Unidos possam manter algum tipo de sistema redundante de controlo eletrónico, que pudesse reduzir a capacidade dos caças adquiridos, temendo ficar em desvantagem em caso de algum conflito.

Esse problema porém, coloca-se também com a França, que alegadamente chegou ao ponto de, durante a guerra nas Malvinas, ceder aos ingleses informações que teriam permitido evitar que alguns navios da força naval britânica fossem atingidos por mísseis anti-navios Exocet de fabricação francesa.

A questão do acesso irrestrito aos sistemas de gestão da aeronave e de seus sistemas de armas tem sido fulcral, e em muitos casos confundida pela imprensa brasileira com a «transferência total de tecnologia».

A questão da transferência tecnológica tem sido esgrimida pelos governantes brasileiros, que na maioria dos casos já demonstraram não ter a mais pequena ideia sobre o que estão dizendo, já que os sistemas de armas são de tal forma complexos, que se torna impossível garantir a transferência de toda a tecnologia.
Além disso, parte da tecnologia de construção de aeronaves, já é do conhecimento de empresas brasileiras como a Embraer, que é o quarto maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo.
Por outro lado, muita da tecnologia que pode ser disponibilizada, não pode ser absorvida pelo Brasil, por absoluta falta de capital humano, pessoas e empresas, que possam absorver essa tecnologia em tempo útil.


[1] - Projeção de 2009 – 2029 para vendas de aeronaves de 30 a 120 passageiros:
America do Norte - 38%; Europa - 20%; China – 13%; Asia-Pacifico – 8%; América Latina – 8%; Rússia e ex-URSS – 7%; Médio Oriente – 3% e África – 3%.

O mercado dos Estados Unidos absorveu 20% dos aviões do modelo E190/E195 e representa 23% das encomendas firmes. No caso do modelo E170/E175, os Estados Unidos representam mais de 50% dos jatos já em operação e 43% das encomendas firmes.


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