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Guiné: Revoltosos continuam isolados
Oposicionistas sem soluções aceitáveis para comunidade internacional
18.04.2012


O Comando Militar revoltoso, que tomou o poder em Bissau há já quase uma semana, tem tentado conseguir alguma legitimidade, através de negociações diretas com partidos da oposição guineense, ainda que não com o principal partido do país o PAIGC, ao qual pertence o primeiro ministro e vencedor da primeira volta das eleições presidenciais com 49% dos votos, Carlos Mendes Junior.

O golpe militar foi já violentamente criticado pelos países da CPLP, reprovado nas Nações Unidas e o país foi suspenso da CDAO. Os revoltosos tentaram nas últimas horas dar um ar de legitimidade e transição democrática ao regime, ao assinar um acordo de transição e entrega do poder durante um periodo de até dois anos, até que se realizem eleições.

Este acordo está a ser ignorado pela comunidade internacional, que vê nele apenas uma manobra dilatória por parte de alguns dos militares guineenses ligados ao tráfico internacional de drogas, que pretendem «carta branca» para continuar a receber comissões pela utilização do território guineense como entreposto para o transporte de drogas entre a América do Sul e a Europa.

Os militares guineenses, que acusaram Angola de ter uma força demasiado bem armada no país, que poderia por em causa a capacidade das forças armadas guineenses, acusam agora Portugal de ter gerado o pânico em Bissau, quando foi divulgada a notícia da saída de Lisboa de navios de guerra, em direção à Guiné.

Segundo o porta-voz dos revoltosos – que se apoiam nos recursos financeiros do narcotráfico – os guineenses ainda se lembrariam do conflito ocorrido ali durante os anos 60 até 1974, altura em que Portugal concedeu a independência ao território.
Já na altura, apenas uma parte da população apoiava as atividades terroristas contra os portugueses, que se baseavam principalmente no apoio das etnias Balanta e Bijagó, normalmente as mais belicosas no país, e que normalmente se digladiam entre si.
Essa belicosidade, levou ao assassinato do líder do PAIGC Amilcar Cabral pelos próprios membros do seu partido, ainda que a culpa tenha recaído sobre a polícia política portuguesa, a PIDE.
A continua instabilidade na Guiné-Bissau, aparenta confirmar a tese da «ingovernabilidade» do país.

Segundo os dados que foi possível apurar até ao momento, estão a caminho das águas da Guiné, uma corveta da marinha portuguesa, uma fragata, um avião de patrulha P3 e um transporte médio C-130 «Hercules». Outros meios estarão de prevenção, entre os quais se contaria o navio reabastecedor Bérrio.

Desenlace violento

A dificuldade em determinar exactamente como está constituida a estrutura das forças revoltosas, leva a que se tema que facções dentro do movimento revoltoso possam começar a lutar entre si. Alguns analistas afirmam que há interesses definidos por grupos dentro das forças armadas da Guiné, que correspondem a outros tantos cartéis da droga.

Neste caso, uma situação que até ao momento aparenta estar calma, poderia degenerar rapidamente para uma catástrofe, que inevitavelmente levaria à necessidade de evacuar civis e prestar apoio médico e sanitário às populações da região de Bissau.

Para atingir esse objectivo, seria sempre essencial que as forças que se viessem a juntar de acordo com uma resolução da ONU, pudessem utilizar o aeroporto de Bissalanca (Osvaldo Vieira) a norte-noroeste de Bissau.

Só com o aeroporto devidamente controlado e seguro, seria possível começar a transportar pessoas para fora do país. O percurso normal seria o de Bissau para o aeroporto da cidade da Praia em C-130 ou C-295 e daí para Lisboa em aeronaves comerciais da TAP ou de outra companhia aérea.

Para atingir este objectivo, seria sempre necessário estabelecer um perímetro de segurança em volta do aeroporto, o que poderia levar a resposta por parte de alguma facão rebelde.

Qualquer ação que venha a ser tomada, terá por isso que ter o apoio das Nações Unidas e de outras organizações internacionais – nomeadamente africanas – que estejam interessadas na garantia da legalidade constitucional vigente até ao golpe.

Espera-se que a questão da Guiné-Bissau seja discutida nas Nações Unidas na quinta ou sexta-feira.


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