Exército


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Contrapartidas agitam concorrência entre Oto Melara e CMI
Exportação de equipamentos militares como contrapartida pela venda de armas
16.06.2008


A concorrência entre belgas da CMI e italianos da Oto Melara para o fornecimento de torres para os veículos blindados Pandur-II, conheceu mais um desenvolvimento, com a divulgação pública de que a empresa Oto Melara pretende apresentar a possibilidade de exportação da sua torre Hitfact como argumento de vendas.

A torre equipada com uma peça de 105mm é um requisito do exército português, com o objectivo, entre outros, de substituir veículos como o V-150 utilizado em missões de reconhecimento aproximado, onde a utilização de uma arma com potência suficiente para destruir ou desabilitar carros de combate é considerada importante.

As duas propostas que estão em cima da mesa são equivalentes e as duas correspondem ao quesito apresentado pelo exército, e a escolha não terá unicamente a ver com preço e características dos equipamentos, mas também com o pacote de contrapartidas que for apresentado pelos potenciais concorrentes.

Pelos dados conhecidos e publicados pelos dois fabricantes a torre CT-CV da empresa belga CMI, considerando a modernidade e a eficiência, bate o equipamento italiano aos pontos.
A torre belga é mais moderna, pode utilizar munição de 105mm especialmente concebida para o equipamento (o que lhe garante um grande poder de fogo), é mais leve, e tem uma guarnição de apenas 2 militares, contra três na torre italiana.
Para apoio de fogo indirecto, situação em que o veículo pode utilizar o seu canhão com grande elevação para apoiar forças de infantaria à distância, a superioridade do equipamento belga também parece clara, a começar pela capacidade de elevação da sua peça, que pode atingir uma elevação de 43º contra apenas 15º na torre italiana.

Curiosamente a torre belga, com uma guarnição de apenas dois militares, consegue essa redução através da inclusão de um sistema automático de carregamento, que prescinde assim do terceiro tripulante. Os sistemas automáticos de carregamento, não são aparentemente vistos com muito bons olhos pelos militares de muitos países da NATO, porque se considera que é elevada a possibilidade de falhas mecânicas reduzir a operacionalidade do veículo.

Isto quer dizer que a torre dos belgas, embora mais sofisticada é aparentemente mais complexa, além de mais cara. Estes são factores que acabam por favorecer o equipamento italiano, que é mais convencional, recorrendo ao tradicional arranjo de torres com uma guarnição de três militares. Essa é aliás a configuração dos carros de combate pesados M-60A3, como o era nos M-48A5 e como será nos Leopard-2A6 que deverão começar a ser fornecidos ao exército português ainda este ano.

Contrapartidas
Se a torre belga ganha entre os adeptos de armamentos mais modernos mas perde entre os mais conservadores e menos gastadores, as contrapartidas podem ser um dos factores de desempate.
Segundo a imprensa portuguesa divulgou quando foram efectuados os últimos testes com a torre «Hitfact», passou a ser considerada a possibilidade de fabrico do sistema em Portugal.

Na verdade, o total de apenas 33 unidades não parece ser suficiente para permitir a montagem em Portugal do armamento. A título de exemplo, notamos que as viaturas blindadas Pandur-II são fabricadas em Portugal, mas os seus sistemas de armas são todos colocados posteriormente. Isto acontece com as torres equipadas com canhão de 30mm, como com os sistemas de morteiros autotransportados.

Para rentabilizar a possibilidade de fabrico em Portugal, o fabricante italiano parece, segundo a imprensa, ter acenado com o fabrico da torre para exportação, nomeadamente para Angola.

Vista lateral apróximada de um T-72 com uma torre Hitfact

Torre Hitfact para tanques T-72
Uma das vantagens da torre italiana, que não se reflecte na torre belga, é a possibilidade de instalação de uma arma principal de calibre 120, em vez do calibre 105 solicitado pelo exército português. Esta vantagem não tem qualquer utilidade para Portugal, pois a colocação de uma peça de 120mm num veículo como o Pandur-II não é aconselhável, mas permite pensar na possibilidade de exportação.

Aparentemente um dos alvos da empresa italiana é o vasto mercado de carros de combate T-72 que alguns exércitos podem vir a modernizar.
A torre «Hitfact» armada com uma peça de 120mm pode ser instalada num carro de combate T-72 de fabrico soviético.
Não se conhece que informação o fabricante italiano detém sobre o mercado angolano, onde existem ao serviço cerca de meia centena de carros de combate T-72.

A possibilidade de efectuar a modernização desses veículos, a qual já terá sido estudada pela Oto Melara é assim um potencial argumento de vendas, embora não seja exactamente de prever que as forças armadas de Angola optem por modernizar os seus carros de combate T-72, quando aparentemente podem adquirir veículos da família T-80, como o T-84 de fabrico ucraniano (já estarão alguns ao serviço) por preços relativamente reduzidos.
A realidade da zona sul de África é tal que a existência de carros de combate principais com a incorporação de tecnologias modernas tem pouca justificação. Nenhum dos vizinhos de Angola tem um exército com armas à altura de veículos como o T-80 ou as versões modernizadas do T-55 que também estão ao serviço.

Não é a primeira vez que a possibilidade de exportação de veículos militares para Angola é referida, embora a possibilidade de venda de tais equipamentos faça pouco sentido, principalmente quando se comparam os preços de sistemas similares, colocados no mercado por países como a Rússia, a Ucrânia e a China.


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