Exército


Translation to English not responsability of areamilitar.net.
Service is supplied as is and correct interpretation is not guaranteed.
Principio do fim para o tanque M-60
Leopard-2A6 holandeses começam a substituir tanques americanos
22.10.2008


Foram oficialmente recebidos pelo exército português nesta Quarta-feira, os primeiros carros de combate Leopard-2 que vão equipar o exército português em substituição dos já vetustos M-60 que chegaram ao país no inicio dos anos 90. Eles foram parte dos lotes de carros de combate utilizados pelos Estados Unidos na primeira guerra do golfo ocorrida em 1991 para expulsar as tropas de Saddam Hussein do Koweit [1].

Os veículos que começam agora a substituir os M-60 também não são novos. Trata-se de veículos adquiridos em segunda-mão à Holanda que colocou na reserva um grande número de carros de combate Leopard-2, cuja frota chegou a ultrapassar as 400 unidades. Os veículos foram adquiridos por um preço ligeiramente superior a 2 milhões de Euros cada um. Um veículo novo, deverá custar entre 6 a 8 milhões, dependendo dos sistemas instalados.

A Holanda seguiu uma política de continua modernização dos seus tanques, pelo que converteu parte dos que possuía da versão Leopard-2 A4 para a versão Leopard-2 A5, e uma parte desses foram posteriormente convertidos para a versão Leopard-2 A6.
É esta última versão que Portugal adquiriu.

Tanques em segunda-mão, mas em bom estado

O Leopard-2 A6, embora seja um tanque «usado», pode-se considerar um dos mais eficientes em operação no mundo. A sua principal característica - que o distingue de outros blindados - é a utilização de um canhão extra longo, que dá ao tanque a capacidade de atingir alvos a distâncias superiores. O canhão L/55 do Leopard-2 que Portugal começa agora a colocar ao serviço, é uma modernização do L/44 que equipa os modelos anteriores do Leopard [2].

O canhão de 120mm L/55 [3] da Rheinmetal é a mais poderosa arma instalada num tanque de qualquer país ocidental. Recentemente na Grã Bretanha começaram estudos para analisar a possibilidade de modificar os tanques Challenger-II ao serviço naquele país, adaptando-lhe esta arma alemã. A arma coloca o Leopard-2 ao nível dos melhores e mais bem equipados carros de combate do mundo, como o Abrams americano, o Challenger britânico, o Merkava de Israel ou o Leclerc francês.
Além de Portugal, o Leopard-2 A6 está ao serviço na Alemanha, Holanda, Espanha, Grécia e Canadá. Vários países europeus utilizam as versões mais antigas, Leopard-2 A4 e Leopard-2 A5 com o canhão L/44.

A incorporação de um novo tanque no exército é uma operação complexa, que leva a uma quantidade de alterações, modificações, modernizações e mudanças. A arma principal de 120mm, um calibre novo, implica modificações logísticas.

Os principais calibres utilizados pelo exército português são o 155mm, utilizado em Obuses de artilharia, 105mm, para tanques M-60 e peças de artilharia «Light Gun» e ainda o calibre 90mm para uns poucos veículos de reconhecimento V-150 idênticos aos Chaimite, embora na prática tais veículos raramente disparem a sua arma principal. Os novos tanques implicam a utilização de mais um calibre (120mm).
As mudanças mais importantes são no entanto no campo dos sistemas electrónicos de combate, pois a passagem de M-60 para Leopard-2 representa pelo menos uma evolução de duas décadas em termos tecnológicos.

Essa modernização passa também pela aquisição de novas viaturas blindadas sobre rodas (algumas para substituir os vetustos Chaimite e outras para transporte de infantaria), novas armas ligeiras e a estandardização de sistemas de intercomunicação entre os vários meios.

Entretanto, o Ministério da Defesa continua sem esclarecer o que pretende fazer com as viaturas de transporte de pessoal M-113, julgadas completamente inúteis em cenários de conflito modernos e que normalmente são utilizadas juntamente com os carros de combate pesados, transportando infantaria de apoio.
Todos os exércitos que operam carros de combate como o Leopard-2 possuem veículos de combate de infantaria adequados para operar conjuntamente com os tanques. Uma das possibilidades é que em caso de necessidade, esta função seja desempenhada por viaturas sobre rodas Pandur.

Redução drástica no numero de tanques

Desde a adesão de Portugal à Aliança Atlântica, que o numero de carros de combate utilizados pelo país é próximo ou superior a uma centena. No entanto, o total de carros Leopard-2 adquiridos é de 36, cerca um terço desse número.

A redução de dois terços no numero de carros de combate, prende-se não só com os custos de manutenção de uma força pesada, como com as alterações nos conceitos de defesa portugueses, que até aos anos 70 continuavam a considerar a necessidade de defender o território nacional. Este emagrecimento forçado era aliás já visível no número de M-60 ao serviço.

Com o fim da Guerra Fria, a necessidade de carros de combate pesados tornou-se ainda menor, e hoje há quem sustente que a existência em Portugal de uma unidade de carros pesados não faz qualquer sentido em termos de defesa do território.

Essa também parece ser a visão dos últimos ministros da defesa, o que explica a redução para mínimos históricos do numero de veículos pesados do exército.
O ministro português da defesa, afirmou já várias vezes que o Exército e as Forças Armadas em geral, tendem a transformar-se numa força expedicionária.

Com fins expedicionários em vista, a manutenção de uma força relativamente pequena de carros de combate pesados continua a fazer sentido, mas a sua utilidade está absolutamente dependente da capacidade portuguesa de transporte de unidades militares utilizando meios navais.

Sobre este tema, o anterior ministro da defesa e actual ministro das relações exteriores do governo português, afirmou à imprensa que a prioridade portuguesa em termos de rearmamento deveria ter sido a construção do Navio de Apoio Logístico e não os submarinos cuja aquisição o país contratou no inicio da década.

Em declarações durante a cerimónia de recepção dos veículos, ficou mais uma vez vincada esta visão expedicionária do exército português, que se tem vindo a confirmar nos últimos anos.

Já a capacidade do exército português para efectivamente garantir a inviolabilidade das fronteiras e a independência do país, é no entanto posta em causa pela análise da idade e tecnologia dos restantes meios complementares disponíveis.


[1] - Nessa operação foram utilizados muitos desses veículos, ainda que em unidades secundárias (Já se encontrava ao serviço o tanque Abrams) naquela que foi a sua última missão.
Portugal é o último país europeu a retirar o M-60 de serviço, como equipamento principal de unidades blindadas. Todos os M-60, bem como modelos contemporâneos como o Leopard-1 e o AMX-30 há bastante tempo que já não estão ao serviço em, unidades de primeira linha em países da NATO.

[2] – A arma L/44 é fabricada sob licença nos Estados Unidos e é a arma principal do famoso tanque americano Abrams, e dela também deriva a arma principal do tanque Merkava de Israel.

[3] – L/55 indica o comprimento do cano relativamente ao diâmetro. O canhão L/55 tem um comprimento de 55x120mm ou seja 6.6 metros. Já o anterior L/44 tem 5.28 metros de comprimento.


Últimas noticias sobre este tema

Portugal cancela NH-90

Exército quer mais tanques

Crise chega às Pandur-II do exército português

Portugal: Honra Manchada !

Principio do fim para o tanque M-60

Contrapartidas agitam concorrência entre Oto Melara e CMI

Pandur com peça de 105mm novamente em consideração

Portugal: Dia do Exército

| Forças Armadas de Angola | Exército Brasileiro | Exército Português | Força Aérea Brasileira | Força Aérea Portuguesa | Marinha do Brasil | Marinha Portuguesa | Forças Armadas de Moçambique | Forças Armadas da Guiné-Bissau | Timor - Sociedade | Forças de defesa de Timor | Brasil | Moçambique | Portugal | Listagem de todas as notícias | Listar todos os navios | Listar todas as aeronaves | Listar armas ligeiras | Listar todos os veículos | Listar todos os mísseis | Listar sistemas de artilharia | Artigos de opinião | Médio Oriente | União Europeia | Europa fora a UE | América do Norte | América do Sul e Caribe | África | Índia e Asia Central | Ásia e Oceânia|
  ---