Portugal
Exército

Exército português volta ao Kosovo. O Atlântismo de Portugal perde terreno?

por Paulo Mendonça
24.08.2004


Segundo a imprensa portuguesa do fim de Agosto, Portugal prepara-se para disponibilizar um batalhão do exército, para integrar as forças da NATO estacionadas no Kosovo. A presença das forças armadas portuguesas no Kosovo, representa a única forma de Portugal partilhar responsabilidades militares no seio da NATO, dado que a NATO não está presente no Iraque e no Afeganistão, Portugal contribuir apenas com um C-130 e uma dezena de mlitares. Futuramente, Portugal participará numa força de reacção rápida da NATO, com unidades que podem incluir dede os blindados sobre rodas 8x8 (cujo concurso decorre neste momento) e também com um pequeno grupo de carros de combate Leopard-II que Portugal poderá estar a considerar comprar á Holanda. Atlantismo versus visão continental = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Parece algo estranho que Portugal, a nação máis "atlântica" da Europa, tenha, para se afirmar dentro da NATO (North Atlantic Treaty Organization, ou Organização do Tratado do Atlântico Norte, para os que já se esqueceram) que enviar tropas, ou contingentes militares para um país interior do continente, que nem sequer tem fronteira marítima. Em toda a nossa história, as nossas intervenções, foram sempre em territórios onde é possível chegar por mar. Foi assim o primeiro império, foi assim o Brasil, foi assim África. A afirmação de Portugal dentro do pacto do Atlântico, enviando tropas para um território com o qual não temos qualquer relação e que não coloca em cheque a nossa segurança nacional, é uma demonstração de que a nossa história e a nossa tradição no que respeita ao posicionamento geoestratégico do país, estão a ser esquecidos. O Exército português tem a função de defender o território nacional, e deve ser equipado, preparado e pensado para essa função. Só devemos pensar em enviar forças “expedicionárias” para o Kosovo, quando o nosso exército tiver os meios para o fazer. Não devemos equipar uma pequena parte do exército, para executar uma pequena função, que pela nossa dimensão será sempre irrelevante, e depois esquecer todo o resto. A aquisição de vinte carros de combate Leopard-II será uma boa notícia, se acompanhada dos restantes, que permitam a Portugal constituir uma unidade pesada capaz de agir, em território nacional. Se nos ficamos apenas pelos vinte tanques que poderemos mandar para o exterior, sería melhor ficarmos quietos.
Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 24.08.2004.


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