América do Norte
Sociedade / Política

Yes they can

por PM
05.11.2008


Lição de Democracia

Quando às primeiras horas da manhã desta Quarta-Feira fecharam as urnas nos estados da costa leste dos Estados Unidos, os principais órgãos de comunicação social do país, declararam a vitória do candidato Barak Obama, parece ter começado uma nova página na História do mundo.

Assolados por uma crise financeira como não se via desde a Grande Depressão no final dos anos 20 e início dos anos 30, os americanos não atravessam seguramente um dos seus melhores momentos. No entanto, não deixa de ser inspirador para todo o mundo livre, a afluência dos americanos às urnas de voto. Em muitos casos, os eleitores tiveram que esperar quatro horas para poder votar e expressar assim a sua opinião.

Os americanos não se limitam a escolher o Presidente. Em muitos estados foram eleitos governadores, senadores e deputados. Além disso em vários casos, os eleitores votam em referendos locais, porque mesmo pequenas modificações à legislação estadual exigem nos Estados Unidos a aprovação do povo.

É costume os críticos dos Estados Unidos acusarem a democracia americana de não ser representativa, porque poucas pessoas votam. Entre esses críticos encontra-se um famoso democrata que dá pelo nome de Fidel Castro.

A todos esses críticos, que destilam de todas as formas o seu ódio à Democracia representativa, atacando a América e aproveitando as suas contradições para melhor demonstrar a falência de um modelo de sociedade, o eleitorado americano respondeu de forma tranquila mas ao mesmo tempo absolutamente demolidora.

A força e a vitalidade daquela que é a mais antiga democracia representativa do mundo, continua afinal, contra as expectativas dos seus detractores, a ser capaz de mobilizar pessoas que acreditam na Democracia e sabem que podem determinar com a sua vontade e o seu voto, o futuro de todos.

Não deixa de ser interessante comparar os Estados Unidos com a Europa ou com outras democracias no mundo.
Seria difícil encontrar um país onde milhões de pessoas se dispusessem a esperar quatro, cinco ou mais horas para exercer o seu direito de voto. Se o ato eleitoral for cansativo, o eleitor europeu desiste e volta para casa. Se for muito trabalhoso e se der muito trabalho, os europeus normalmente esperam que alguém lhes resolva os problemas.
Já nos Estados Unidos, aparentemente a Democracia está viva e recomenda-se.

A vitória do candidato do partido Democrata, é também um sinal claro da força da Democracia, e acima de tudo da superioridade moral das Democracias sobre as Ditaduras, sejam elas ditaduras institucionalizadas como a chinesa, ou ditaduras encapotadas como a russa.

Num país marcado por questões raciais, muitas vezes apontadas como uma das razões dos seus problemas, a eleição de um candidato de origem africana é sem dúvida razão de inspiração, quando na Rússia, organizações como a «Nachi», as «Juventudes Putinanas», promovem abertamente e sem qualquer pudor ou vergonha a reprodução entre russos, para garantir a pureza da raça.

A eleição de Barak Obama, é também uma demonstração, mais uma, de que a Democracia, e especialmente a Democracia americana, tem uma espantosa capacidade para mudar, para reformar, para reconhecer os erros e para os corrigir.

Nenhuma sociedade é perfeita, mas aquilo que parece caracterizar os Estados Unidos, é a facilidade, mas acima de tudo a rapidez com que novos caminhos são traçados e uma nova classe política, com novas caras assume a liderança de um país.

Essa capacidade para a mudança, mesmo que em alguns casos essa mudança seja radical, é provavelmente um dos pilares que ajudou a consolidar os Estados Unidos como a mais poderosa nação do mundo.
É a rapidez com que se tomam decisões, é o facto de estar na frente, seja no campo do pensamento politico seja no campo da tecnologia, e de aproveitar essa liderança para continuar em frente e progredir, que explica a preponderância americana no mundo.

Na Europa acusam-se os americanos de serem demasiado simplistas e de verem o mundo a duas cores. Acusam-se os americanos de unilateralistas, quando na verdade o que acontece é que a América anda mais depressa, com uma velocidade que o resto do mundo não consegue acompanhar.
E por isso muitos não entendem, como é que o país que elegeu George W.Bush para presidente há oito anos, elege agora um mulato, filho de um imigrante do Quénia para seu presidente.

Os americanos tomam decisões na hora, são mais rápidos a decidir, e não esperam por quem está habituado a aguardar, esperar, pensar, repensar e remoer, antes de tomar uma decisão.

Quando se opta por tomar uma decisão rapidamente, corre-se o risco de errar. E os norte-americanos sempre correram esse risco, sabedores no entanto de que mesmo que errem, a rapidez com que a sua sociedade reage e se regenera, continua a dar-lhes uma vantagem competitiva.

As mudanças na sociedade americana são por isso inspiradoras para todo o mundo.

Desenganem-se aqueles que profetizam o fim da América como país líder no mundo, prevendo a ascensão dos regimes opressivos. A liderança da América não está baseada na força da ameaça, do medo ou do terror como na Rússia ou na China, mas sim na força imparável da sua capacidade de regeneração, apenas possível num país livre.

Este texto é da autoria de PM e foi publicado em 05.11.2008.


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