America do sul e Caribe
Geoestratégia

Chavez e o legado de Simão Bolivar

por E.M.Pinto
25.11.2008


O sonho de Simão Bolivar, uma América unificada e livre?

Esta é a argumentação de Chavez para a sua incansável luta contra o Império do Norte.

Baseada numa revolução popular movida à petróleo e apoio de nações mais tolerantes, dispostas a compreender o clamor do grito, mas que não compartilham das mesmas atitudes.

No entanto o combustível motor está em queda, e preço do petróleo pode não ser a única trama da corda que se emaranha em seu pescoço.

As virgens reservas do recém descobertas dos recém descobertos campos petrolíferos no Brasil e as novas jazidas de gás e petróleo em estudo ao litoral de Europeu, ameaçam os seus argumentos, enfraquecendo o seu poder de pressão.

Oxalá Chavez desperte de seu sonho enquanto é tempo, pois o seu povo corre o risco de passar por um processo de albanização irreversível, moldado num sistema social e militar sem equivalência e descontextualizado do mundo moderno.

O sonho de sua América bolivariana pode nunca se concretizar pois o ideal hispânico/indígena vigente, não sobrevive à uma reconciliação, enquanto estas diferenças forem usadas coma arma de propaganda para uma revolução social ( justificada em seu ideal mas não em seus métodos), visa reverter os erros coloniais históricos, mas que como resultado reverso tem trazido muita discordância e desconfianças para a América latina, mantendo-a fragmentada.

O que nem Chavez e nem Simão Bolivar foram capazes de imaginar é que a América unida e sonhada por eles só existirá quando forem aceitas as diferenças, inclusive as as "excentricidades do Primo rico do Norte, por diversas vezes demonizado.

Chavez não entendeu que o que separa a América não são as Barreiras fronteiriças e sim as ideológicas, e baseando sua ideologia bolivariana defendida à unhas e dentes ele próprio só está contribuindo para uma separação entre os povos contrariando o sonho e o legado de seu dito mentor ideológico, Simão Bolivar.

Chavez ainda não percebeu que uma América unida deve levar em conta a inclusão de todos, ricos, pobres, e opositores do seu sistema e que apesar das estigmas e erros do passado, sem a intervenção dos seus Primos Demónios, as riquezas e potencialidades da sua América Bolivariana não passa de uma carcaça disputada por lobos de diversas partes do mundo, ávidos por arrancar o seu pedaço enquanto a presa agoniza...

Chavez ainda não entendeu que para a América latina ter voz, tem que falar uma única língua, porém antes de mais nada, respeitar os ideais e individualidades de cada um.

Não percebeu que não se pode esperar que um continente formado por tantos povos de tão diferentes origens, crenças, origens e ideologias, um único "amém", nem um ponto de convergência o qual para si seria preferencialmente o seu...uma única ideologia dominante sobreposta a todas sobre o pretexto da “justiça”...

Contudo, os resultados práticos das suas excentricidades pelo menos por agora, só tiveram um resultado prático, o adiamento do sonho de Simão Bolivar, razão e fundamento de sua luta e que pode o fazer cair sem intervenção ou vontade externa , mas sim pela contradição dos seus argumentos e fundamentais de sua América estereotipada...

Este texto é da autoria de E.M.Pinto e foi publicado em 25.11.2008.


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