União Europeia
Sociedade / Política

Espanha: O Rei vai nú !

por PM
19.05.2009


Os sinais que ninguém quer ver, e que os defensores mais acirrados da Espanha Una Grande Y Libre do ditador nazista Francisco Franco querem esconder, foram mais uma vez perfeitamente evidentes na recente final da Taça do Rei, uma competição desportiva espanhola.

A manifestação desportiva, que decorreu no País Basco, não poderia ter acontecido em pior lugar e os monarcas haviam sido informados de que haveria alguma rejeição por parte da audiência, o que no entanto não é incomum em Espanha, em várias regiões do país.

No entanto, poucos poderiam esperar o inimaginável e interminável assobio de milhares dos espectadores quando soou a «Marcha Real», que é o hino oficial do Estado Espanhol. Em todo o Estádio, foi quase impossível ouvir o hino perante a avassaladora onde de assobios de milhares de pessoas.
Além de assobiarem o hino espanhol, milhares de participantes pura e simplesmente voltaram as costas para o relvado, durante o toque da marcha.

TVE em pânico.

A mais evidente demonstração do pânico vivido na altura esteve na desastrada transmissão da televisão oficial madrilena TVE, que percebendo o fiasco e entendendo a gravidade da situação, pura e simplesmente cortou a emissão durante a execução do hino e passou a reportagem para fora do estádio, onde apenas chegavam ecos do gigantesco assobio e onde pura e simplesmente não era possível ouvir qualquer música.

A patética tentativa de ocultar o acontecimento, foi rematada pela televisão oficial , com uma montagem feita à pressa, e transmitida durante o intervalo em que passou uma trilha sonora gravada e em que não foram transmitidas imagens do estádio, ficando as câmaras fixadas exclusivamente num pequeno numero de participantes que pretendiam honrar o Rei e a Bandeira.

Dissolução inevitável

Os sinais de dissolução do Estado Espanhol, não são de hoje nem de ontem. A Historiografia espanhola tem tentado ignorar o problema, mais por conveniência que por qualquer outra razão.

A Guerra civil espanhola, de 1936 a 1939 tem sido apresentada como uma ante-câmara da II Guerra Mundial, em que se digladiavam conceitos políticos, e em que se guerreavam a Liberdade e o Totalitarismo.

Mas não é possível evitar lembrar, que o golpe que o ditador Francisco Franco deu em 1936, beneficiando do apoio directo de Adolf Hitler, foi acima de tudo um golpe que se destinou a garantir a unidade do Estado Espanhol, criado em 1715, à imagem do estado absoluto francês.

A criação daquele Estado, coincidiu com a violenta repressão dos direitos dos povos chamados «periféricos». Embora o absolutismo espanhol, de origem castelhana tenha vencido, para evitar mais conflitos entre castelhanos e catalães e para não perigar a unidade conseguida em 1715, a autonomia foi sendo gradativamente devolvida à Catalunha e a várias outras regiões de Espanha.

Essa autonomia, por muito que os autistas e os profissionais iberistas (especialmente em Portugal) insistam em ignora-la, tenderá sempre para um único caminho: A autonomia total, ou seja, a independência.

A História encarregou-se de demonstrar isso, ao longo do século XIX, e também durante o século XX, quando em 1936, para impedir a autonomia administrativa da Catalunha, Francisco Franco inicia a guerra civil que duraria até 1939.

Durante a guerra, a Catalunha e o País Basco foram alvo especial das mais brutais forças ao serviço de Franco. A Legião Condor nazi, bombardeou Guernica, e as forças muçulmanas de Franco levaram a cabo crimes contra populações civis com o objectivo de submeter a Catalunha através do terror.

O regime Nazista de Franco - e não pode haver qualquer dúvida honesta sobre a relação directa entre o nazismo alemão e o franquismo - acabou em 1975 com a morte do ditador. Mas o Hitler espanhol, deixou um herdeiro na figura de Juan Carlos I, o qual, embora submetido a operações cosméticas, para tentar criar a ideia de que se trata de um democrata, nunca deixará de ser aquele que Francisco Franco designou como seu herdeiro legítimo.

O rei espanhol, pode até aceitar as regras da democracia. Mas não aceita, como Franco não aceitou nunca, que o problema do futuro da Espanha, não está entre Esquerda e Direita.

O problema está na via que o país escolher para a inevitável independência dos países que fazem parte da Espanha, os quais têm inalienáveis Direitos Históricos à independência, e cuja legitimidade para existir, é muito superior à do próprio estado espanhol.

Faremos bem em Portugal, colocando as barbas de molho. Não chegámos ao fim da História, e o período de paz por que passamos, não será eterno.
A Espanha, e os problemas que advirão da instabilidade provocada pelos nacionalismos emergentes, constitui um problema para Portugal.
Não estamos preparados para o que possa acontecer.

Não estamos hoje, como não estávamos no inicio dos anos 30, quando a crise económica, foi o rastilho para um processo de desagregação a que Franco e Hitler conseguiram opor-se com sucesso.

Hoje, a crise económica, tão grave quanto a dos anos 30 está aí à porta, mas não há nenhum Hitler para ajudar a Espanha a manter-se unida.

Este texto é da autoria de PM e foi publicado em 19.05.2009.


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