Portugal
Sociedade / Política

O voto de Portugal na ONU sobre a Palestina como membro observador

por Mário Macedo
09.12.2012


No passado dia 29 de Dezembro a Assembleia Geral das Nações Unidas votou por larga maioria[1] uma resolução que confere à Palestina o estatuto de estado-observador, ficando assim com o mesmo status do Vaticano. Os EUA votaram contra, curiosamente, os seus aliados europeus votaram em larga maioria favoralmente, sendo a República Checa o único a votar contra. Surpreendentemente também países tradicionalmente pró-Israel abstiveram-se, como o Reino Unido e a Alemanha[2], o que provocou a comentário "we lost Europe" por parte de alguns diplomatas de Israel.
Qual a razão desta mudança? E quais os factores que estiveram por detrás da mudança da posição portuguesa?

Em primeiro lugar está a questão dos colonatos judaicos em territórios administrados pela OLP. Quanto mais colonatos forem criados, mais longe fica a "solução dos dois estados" defendido pelas principais potências europeias, com França à cabeça.

As relações entre Paris e Tel-Aviv nem sempre foram as melhores. Em Novembro o ministro dos negócios estrangeiros francês condenou publicamente a política do estado de Israel:

«It erodes the building of trust between the sides and constitutes an obstacle to a just peace, based on a two-state solution»

Em segundo lugar existe uma tentativa de legitimar e dar mais força à OLP, que tem vindo a perder relevância face ao movimento extremista Hamas. Ao apoiar o pedido da OLP na ONU, é um reconhecimento que os moderados conseguem atingir os seus objectivos. Envia igualmente uma mensagem forte para o terreno, que o caminho da violência e confronto não tem apoio na Europa.

Apesar de a Alemanha ser o motor ecónomico da UE, a França ainda é a referência sobre política externa. Não é de estranhar que Portugal, Espanha e Itália, tenham alinhado as suas posições com Paris, e votado a favor do pedido palestiano ao invés de seguir a abstenção alemã.

Poderá este voto ter tido a garantia de apoio francês nas próximas rondas de negociação sobre medidas de austeridade, de forma a suaviza-las?

Não surpreendia se assim fosse.

Mário Macedo
Este texto é da autoria de Mário Macedo e foi publicado em 09.12.2012.


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