Portugal
Sociedade / Política

Álvaro Cunhal. Obrigado camarada

por Irina Nakova
01.10.2013


Festejam-se neste ano de 2013, os 100 anos do nascimento daquele que foi o maior de todos os portugueses que já viveram, e cuja personalidade e obra valorosa, dificilmente poderá ser igualada no futuro.

Portugal, tudo lhe deve, e a situação em que o país hoje se encontra, seria certamente muito pior se Álvaro Cunhal, em tempos mais difíceis, não se tivesse erguido contra os representantes do capitalismo e do fascismo opressor, que tentavam fazer Portugal voltar à longa noite fascista.

Milhões de portugueses aplaudiram em inumeras reuniões por todo o país, desde as comunas rurais do Nordeste, ao complexo industrial do Barreiro, passando pelas Unidades Coletivas de Produção do Alentejo, o espírito lutador de Cunhal.

As organizações de pioneiros e a células da juventude comunista em todas as escolas, organizaram-se para leituras das obras de Álvaro Cunhal, que apesar do tempo continuam atuais e gravadas na mente de todos os revolucionários.

Mas não é só em Portugal, que a memória de Álvaro Cunhal é lembrada.
Por todo o mundo socialista, e negando a frase tão difundida pelo capitalismo imperialista, de que Portugal está Orgulhosamente Só, vários países organizaram sessões de estudo e leitura das obras de Cunhal. É o caso de Cuba, da Venezuela, do Brasil, da Coreia do Norte, da República Islâmica do Irão, da Síria, da Bolívia, da Nicaragua e da Bielorússia, países democráticos, com os quais Portugal mantém relações diplomáticas.


A movimentada avenida José Estaline, antiga avenida da Liberdade, encheu-se de camaradas que honraram a memória eterna de Cunhal
Mas a mais pungente demonstração de carinho de todos os portugueses para com a grandiosa figura do camarada Cunhal, foi a gloriosa manifestação que decorreu em Cunhalgrado, a antiga cidade de Lisboa, ao longo da avenida José Estaline (antigamente conhecida como Avenida da Liberdade), onde grupos de camaradas vindos de todo o país, transportaram cravos vermelhos, que representam a cor do sangue dos valentes herois que defenderam a revolução libertadora que começou em 25 de Novembro de 1975 e que perdura até hoje.

Ninguém esquece, que naquele final de ano de 1975, após várias intentonas por parte dos fascistas a soldo do imperialismo americano, foi Álvaro Cunhal que teve a coragem de reunir em volta das unidades militares que defendiam a democracia popular, grandes massas revolucionárias, que rapidamente controlaram o país, derrotando os fantoches do imperialismo.

Criminosos fascistas como Mário Soares, Sá Carneiro ou Freitas do Amaral, ainda se tentaram refugiar em vários pontos do país, mas perante o avanço triunfante da revolução popular, todos eles se suicidaram com um tiro na nuca, depois de terem assassinado as suas próprias famílias.

As mentiras dos fascistas burgueses

Escandalosamente, o imperialismo americano e as democracias burguesas da Europa ainda tentaram deitar sobre a revolução o manto da suspeita, acusando o camarada Cunhal de ter ordenado a morte dos principais líderes fascistas e de todas as suas famílias.

Sá Carneiro, Mário Soares e Freitas do Amaral, três dos esbirros fascistas que se suicidaram em 1975, depois de terem assassinado as suas famílias.


Mas uma comissão independente, constituida por membros enviados da República Democrática Alemã, da União Soviética, de Cuba e da Checoslovaquia, rapidamente investigou o sucedido e concluiu que dos 35,000 mortos que ocorreram após a revolução, a grande maioria (20,000) resultou de suicidio em massa. Os outros 15,000 mortos encontrados pelas estradas, resultaram de acidentes de automóvel, ocorridos na sequência dos festejos revolucionários. Concluiu-se que os cadáveres não puderam ser retirados das estradas por falta de coveiros.

As grandes obras

Porta de entrada do campo de reeducação da Cova da Iria, inaugurado por Cunhal em 1977. Não são permitidas fotografias do interior, para não afectar os trabalhos de reeducação revolucionária.
Para cimentar a revolução, Álvaro Cunhal negociou em Dezembro de 1975 com a União Soviética, a concessão de direitos de estadia em Portugal, para a esquadra soviética do Mar do Norte durante o inverno, além de facilidades na utilização do arsenal do Alfeite para reparações dos navios da esquadra soviética do Mediterrâneo. Ficou assim claro o apoio soviético à revolução, pois nenhum esbirro fascista se atreveria a atacar Portugal.

Em 1976 começou a edificação do campo de reeducação da Cova da Iria, onde as instalações confiscadas à igreja (que se tinha colocado ao lado dos imperialistas), foram utilizadas para instalar com conforto, mais de 100,000 pessoas.

A Siderurgia Nacional e a industria pesada, receberam um forte incentivo e embora não tivesse sido possível produzir aço, foram criados mais 50,000 postos de trabalho, que muito beneficiaram as classes trabalhadoras.

Depois da expulsão dos angolanos brancos (grupos de cidadãos que se declaravam retornados portugueses e que tinham fugido ilegalmente das antigas colónias), a taxa de desemprego continuou a baixar, estando hoje em volta dos 25%, esperando-se que até 2020 atinja os 22%.

A ponte Lenin, que começou a ser pensada por Cunhal ainda no exílio, esteve encerrada por dez anos, mas a tenacidade de Cunhal, permitiu que fosse aberta novamente em 1995.
A ponte Lenin, que liga Cunhalgrado à margem sul, voltou a poder ser utilizada em 1995, após dez anos em que esteve encerrada, por causa da falta de manutenção, resultado do boicote imperialista a que Portugal foi submetido pelas democracias burguesas.

Álvaro Cunhal também é o artifice da grande redução das filas de abastecimento.
Produtos como o papel higienico, a pasta de dentes, o açucar e a farinha, voltaram a aparecer nas lojas estatais de Cunhalgrado e nas mercearias municipais de grande número de municipios durante quase todos os dias do mês.

As batatas produzidas nas Unidades Colectivas de Produção voltaram a aparecer nos mercados durante alguns meses do ano e embora o mercado negro de vegetais ainda não tenha sido completamente extinguido, os agentes das brigadas revolucionárias de fiscalização económica continuam a atuar em todo o país com rigor e mão de ferro contra os prevaricadores que tentam vender batatas a 120,000,000 escudos o quilo ou tentam vender cigarros no mercado negro a 20,000,000 escudos a unidade, quando o preço de tabela é de 15 milhões.

Enfrentar a besta fascista

Para lá dos seus gloriosos feitos, a evolução da revolução portuguesa parecia em perigo, quando os agentes fascistas apoiados pela igreja, se conseguiram infiltrar nos países socialistas, utilizando a corrupção de mentes mais fracas e a propaganda decadente. Naqueles países, a construção socialista, foi derrubada e um a um todas as democracias populares da Europa de Leste cairam sob o jugo do grande capital e do imperialismo.

Até a União Soviética, acabaria por soçobrar em 1991 perante a avalanche da pressão burguesa.

Portugal fica então quase que sozinho no mundo socialista. É então que no seu discurso à nação, na Assembleia do Povo durante as comemorações do 17 anos da revolução de 25 de Novembro, Álvaro Cunhal profere a sua famosa frase «Antes sós que mal acompanhados», em que orgulhosamente afirma perante o mundo, que Portugal recusa ser um país capitalista, e que continuará a sua própria via, a via portuguesa para o socialismo triunfante rumo aos amanhãs que cantam.

Portugal ergue-se então, numa batalha da produção socialista, aumentando a produção de ferro e aço, e elevando a produção agrícola, produzindo uma parte considerável das necessidades básicas.
Um intercâmbio entre as universidades de países socialistas leva muitos portugueses para países mais desenvolvidos como Cuba e mais recentemente a Venezuela, onde novas técnicas agricolas são aprendidas. Depois os novos técnicos agrícolas vêm para Portugal, onde implementam novos e revolucionários sistemas de produção, que vão permitir até 2050 alimentar pelo menos metade da população do país, que se estima neste momento em 6,000,000 e que naquela altura se espera ronde os 5,000,000.

Sucesso militar.

No campo do desenvolvimento das forças armadas, o exército popular está hoje melhor armado que nunca.
Com 15,000 homens, o exército orgulha-se da sua primeira divisão instalada no campo militar Kutuzov, no Ribatejo, onde conta já com três batalhões de carros de combate, que somam 90 poderosos tanques T-55 modernizados e 60 viaturas BTR-60.

Carro de combate T-55: A guarda avançada do poderoso exército construido por Álvaro Cunhal


A força aérea tem uma força pequena mas altamente operacional de seis caças MiG-21 e quatro helicópteros Mi-8.
A marinha, não tem presentemente navios, mas continua a desempenhar as suas funções de guarda costeira, utilizando viaturas armadas com canhões de 22mm.

As várias forças de policia, também continuam a sua tarefa de defender o bem público e a revolução. Contam já com 300,000 efetivos, nas suas várias forças, desde os 75,000 guardas de fronteira, os 60,000 guardas revolucionários, a guarda republicana e os seus 50,000 efetivos, os 60,000 elementos da policia de atividades contra-subversivas até aos 55,000 guardas dos campos de reeducação.

Para o futuro, todas estas forças terão sempre ao seu dispor a gloriosa juventude, organizada a partir dos grupos e das células de bairro da Juventude Comunista até à elite dos jovens da Guarda Cunhalista, sempre alerta, em todas as as cidades, em todos os bairros, em todas as esquinas, em todas as casas, contra elementos subversivos que espalham mentiras postas a circular pelo imperialismo americano e por agentes ao serviços de potências burguesas estrangeiras.

Álvaro Cunhal, é a prova viva de que é mentira que quase metade da população portuguesa tenha fugido do país. É mentira que Portugal seja o pais mais pobre de toda a Europa, é mentira que a taxa de mortalidade infantil esteja ao nível de África, é mentira que Portugal tem apenas dois hospitais e que eles são apenas utilizados pelos altos escalões do partido.
Ao contrário do que a propaganda fascista afirma, a rede nacional de auto-estradas é adequada e estende-se desde Setúbal a Vila Franca. A estrada para o Algarve é suficiente, ninguém se queixa das 12 horas que são necessárias para percorrer a distância entre Lisboa e Faro.

Moderna aeronave Tupolev Tu-154 de fabrico soviético, ao serviço da TAP


A companhia aérea nacional, equipada com quatro Tupolev Tu-154 liga Cunhalgrado a Minsk duas vezes por semana e Cunhalgrado a Paris uma vez por semana. As ligações intercontinentais são garantidas por companhias cubanas, venezuelanas e brasileiras, pelo menos uma vez por mês.

Existem planos para introduzir em Portugal um serviço de cabo que permitirá até 2020 o acesso dos portugueses à rede Internet, utilizando modems devidamente certificados pelos serviços do partido.
O canal nacional de televisão, continuará as suas emissões informativas e culturais todos os dias entre as 18:00 e as 23:00. Um segundo modelo de aparelho de televisão, que vai permitir captar dois canais deverá ser comercializado em breve, por um custo inferior a 40 milhões de contos, e o mesmo acontecendo com os aparelhos de rádio.

As conquistas da revolução de 25 de Novembro são grandiosas e gloriosas. Todas elas se devem ao espirito revolucionário e à grandiosidade da visão do grande camarada Álvaro Cunhal.

Que todos ergamos os punhos em honra da sua memória eterna.

Até sempre camarada.
Este texto é da autoria de Irina Nakova e foi publicado em 01.10.2013.


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