Brasil
Sociedade / Política

E Dilma jogou a CPLP na boca do canibal

por Luis Carlos Gomes
02.08.2014


No que foi provavelmente o maior escândalo desde sua fundação, entrou no dia 23 de Julho de 2014 para a CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa, seu nono membro, a Guiné Equatorial, país de língua espanhola. A entrada foi apoiada por vários países africanos da organização. Portugal se opos à entrada, por causa de a Guiné Equatorial não ser um país de língua portuguesa e também por causa do terrível registro de atrocidades e crimes contra a humanidade cometidos pelo ditador Teodoro Obiang. A presidenta do Brasil, Dilma Roussef fechou os olhos, assobiou para o lado a aceitou de mãos abertas o canibal africano na organização.

A História

Na verdade seria mais correto dizer que o nono membro da CPLP é o ditador genocida e canibal Teodoro Obiang, que está sendo perseguido em todo o mundo civilizado, junto com sua família, e sendo chamado à justiça, por roubo, crimes de lavagem de dinheiro entre um mundo de outras ilegalidades.

A Guiné Equatorial não fala português. Seu território, foi trocado entre Portugal e a Espanha, os espanhóis recebendo o território africano que era dos portugueses e em contrapartida dando para os portugueses a ilha de Santa Catarina, consolidando o controlo lusitano no litoral brasileiro e dando para a Espanha sua única possessão na África a sul do Equador.
Os espanhóis nunca deram nenhuma importância para sua colônia africana, mas os portugueses investiram no Brasil, consolidando sua posição e criando condições para sua coesão como país independente.

Independência com Macias Nguema

Na década de 1960 a Guiné Equatorial ganhou a independência da Espanha, que continuava não tendo nenhum interesse no território e seu primeiro presidente foi Macias Nguema, um genocida que matou um terço da população do país até 1979. Nesse ano ele foi deposto por seu sobrinho, Teodoro Obiang. Macias foi julgado, condenado à morte e executado no mesmo dia.

Teodoro Obiang, apareceu como uma espécie de libertador que fez justiça, mas rapidamente as expectativas se goraram. Teodoro Obiang era apenas ligeiramente menos genocida que seu tio.
Com o passar do tempo, o governo de Obiang ficou conhecido como um dos mais brutais e corruptos regimes do mundo.

Obiang, beneficiou da descoberta de petróleo no país, o que levou a que passasse a dispor de gigantescos recursos que poderiam retirar o país da miséria. No entanto, nada disso aconteceu.
Desde 1979, o país continua pobre e miserável. O dinheiro do petróleo vai todo parar nos bolsos de um grupo seleto de apoiantes, que utilizam o dinheiro para seu conforto pessoal e para rechear suas contas bancárias no exterior.

A Guiné Equatorial, é um país de estranhos fatos. Em uma eleição realizada em 2002, houve regiões em que Obiang obteve 103% (cento e três por cento) dos votos expressos.
No país não existe censura à imprensa escrita, porque não se publica um único jornal.
Os jornais estrangeiros são visionados antes de serem colocados nas bancas. Se houver alguma crítica ao dirigente máximo, os exemplares são destruídos ainda no aeroporto de Malabo. O filho do presidente (Teodorinho) foi ministro da saúde, mas o país está de tão boa saúde, que o ministro vivia numa mansão de luxo em Malibu na Califórnia, Estados Unidos. Em vez de residir em Malabo, ele residia em Malibu e achava que a diferença era nenhuma, já que para o povo tratava-se apenas de duas letras.

Mais tarde, cansado de ser ministro da saúde, papai Obiang pai ofereceu as florestas do país para o filho, que naturalmente, virou ministro da agricultura e vende a madeira preciosa das florestas da Guiné para sustentar seu estilo de vida extravagante.

A taxa de mortalidade infantil da Guiné Equatorial é de 200 por mil (no Brasil, que está muito longe do topo da lista a taxa é de 20 por mil, dez vezes menor) e dois terços da população vive de forma miserável, sem água potável nem medicamentos.

Dilma e Obiang: 700 milhões de dólares de comercio por ano, entre Brasil e Guiné Equatorial, levaram Dilma a forçar a abertura das portas da CPLP, de portugueses e de principios básicos, que estiveram na origem da criação da organização.


Com a pressão internacional, Obiang tem tentado de tudo para não ficar completamente isolado. Seu filho cometeu tantos crimes na Europa e nos Estados Unidos, que papai teve que nomear Teodorinho representante na UNESCO, para que pudesse beneficiar de imunidade diplomática, não podendo ser julgado pelos roubos de que é acusado.

Embora tenha sido recebido por dirigentes internacionais como Obama, o presidente da França Sarkozi, pelo presidente da China e por outros dirigentes de vários países do mundo, nos últimos anos, o nível de cleptocracia do governo da Guiné Equatorial tem atingido níveis julgados inacreditáveis. Potenciada pelo petróleo, de que a Guiné Equatorial é o terceiro maior produtor de África, a riqueza da família Obiang atingiu proporções «barrocas», que levaram a família a ser alvo das atenções da justiça dos Estados Unidos, da França e de outros países europeus.

Teodorinho, segue nas pisadas de papai

Em Julho de 2012 o filho do presidente, que era oficialmente ministro da Agricultura mas vivia na Califórnia a maior parte do tempo se viu perante um mandado internacional de captura emitido por um tribunal francês. O Mandado foi emitido porque Teodorinho, se recusou a comparecer perante o juíz para prestar declarações.
Existem alegações de que o filho do presidente da Guiné Equatorial, comprou várias propriedades na França, com dinheiro roubado em seu país.

Teodorinho, o filho do ditador: Conhecido por comprar a luva de diamantes de Michael Jackson e por governar seu ministério a partir de Malibu, em vez de Malabo, a capital de seu país. Teodorinho viu suas viaturas de luxo confiscadas na França
Durante o governo Lula, o presidente quis anistiar parte da dívida da Guiné Equatorial. Em uma visita ao país, o ditador prometeu pra Lula que até compraria navios de guerra do Brasil, embora o país não tenha marinheiros suficientes para manter uma lancha operacional.
Lula voltou para o Brasil com a promessa e Obiang ficou com o dinheiro. Nunca foi feita nenhuma compra e o filho do ditador continua gastando rios de dinheiro em produtos de luxo.

Em pagamento da boa vontade brasileira, o filho do ditador, Teodorinho, visitou o Brasil e comprou produtos de luxo em um valor que foi o dobro da dívida que seu país tinha para com o Brasil e que o contribuinte brasileiro quitou por ordem de Dilma.


CPLP jogada no lixo por Dilma

A situação que Dilma ajudou a criar, está levando a comunidade de países de língua portuguesa ao descrédito internacional.

O organismo, que foi impulsionado pelo falecido diplomata, brasileiro José Aparecido de Oliveira (na foto), que foi ministro da cultura do governo Sarney e governador do Distrito Federal, tinha como objetivo criar um núcleo de países de língua portuguesa, que fizessem da lingua não só um veículo de comunicação, mas também de integração cultural entres seus membros.


Com Dilma, que fez tudo para abrir a porta para Obiang (mas teve vergonha, ou medo de cumprimentar o ditador na cúpula da CPLP em Dili no Timor leste), a organização se transformou em uma anedota internacional, que serve para limpar a cara de genocidas e assassinos.
Seu principal inspirador, morreria novamente, se voltasse ao mundo para ver no que deu sua ideia de juntar os países de língua portuguesa.

Em Brasilia, há comentadores que afirmam que Dilma foi condicionada pela pressão do regime angolano de Eduardo dos Santos, que depois de zangar-se com os portugueses (que começaram criando problemas para a clique de criminosos e corruptos que governa Angola), precisa de um país diferente para onde canalizar o dinheiro roubado, que é normalmente «lavado» com a aquisição de posições em empresas respeitáveis.

Portugueses criticam, mas têm telhado de vidro
(Politicos corruptos são tradição na CPLP)

Mas se a adesão da Guiné Equatorial à CPLP foi criticada pelos portugueses, por causa dos crimes e atividades ilegais da família, por causa da existência da pena de morte na Guiné Equatorial (que Obiang prometeu suspender) e por causa de não haver uma única escola de português no país, eles não deixam ter ter culpa no cartório.

Na verdade, as criticas dos portugueses poderiam ser para Angola, governada por uma clique corrupta capitaneada pelo próprio presidente Eduardo dos Santos e sua filha Isabel Kukanova dos Santos, nascida na União Soviética e considerada em muitos círculos como a mais eficiente ladra africana.

Eduardo dos Santos, o mais antigo ditador africano e sua filha Isabel Kukanova: A dupla é considerada internacionalmente, como a mais eficiente organização de ladrões em África


Como na dupla Obiang (pai) – Teodorinho (filho) existe uma dupla equivalente em Angola. A filha do presidente Eduardo dos Santos, nascida na União Soviética e filha de uma russa que foi uma das muitas mulheres do presidente, é conhecida como a senhora 25%.
Segundo a revista Forbes, Isabel Kukanova dos Santos, recebe graciosamente participações de até 25% no capital de empresas que querem se instalar em Angola e ganhar dinheiro nesse mercado emergente. Ela também recebe propina para convencer seu pai a assinar documentos, leis e decretos que podem favorecer empresários na área do petróleo e no mercado de diamantes.

Empresas portuguesas estiveram entre os principais beneficiários desse tráfico de influências, dinheiro, petróleo e diamantes. O dinheiro sujo de Isabel e Eduardo é normalmente lavado em bancos portugueses onde a família dos Santos se move com facilidade. O próprio Eduardo dos Santos, foi acusado na França alguns anos atrás, por ligações a organizações criminosas.

Em 2010 a Human Rights Watch, fez uma declaração que acabaria mesmo sendo confirmada em Angola pelo próprio governo, que 32 bilhões de dólares tinham-se esfumado, desaparecendo nos bolsos de não se sabe quem.
Um relatório de uma comissão do Senado dos Estados Unidos, foi no entanto clara ao afirmar que o dinheiro foi parar nos bolsos de Dos Santos e de sua filha Isabel Kukanova dos Santos.

A princesa Isabel (como é conhecida em Angola) também está ligada ao tráfico de armas e compra de armamentos para as forças armadas de Angola. Isabel promove a assinatura de contratos extremamente lucrativos para as empresas vendedoras de armas, mas embolsa propinas que chegam a representar mais de 50% do contrato, como afirmou a revista Forbes. O exército angolano recebe armamentos que custam três ou quatro vezes mais que no mercado normal, mas como Isabel não percebe nada de armamentos, os contratos não prevêm manutenção ou peças de reposição e por isso Angola compra com regularidade novos equipamentos, para substituir os que estão avariados e que poderiam ser reparados.
Entre os traficantes de armas que fazem parte da gangue criminosa em que Isabel está envolvida, estará o traficante internacional de armas Arkadi Gaydamak.
Este texto é da autoria de Luis Carlos Gomes e foi publicado em 02.08.2014.


Últimos artigos de opinião sobre este tema

E Dilma jogou a CPLP na boca do canibal

Para onde vai o Brasil ?

Militares pela cidadania

Lei do abate contra Ahmadinejad

Brasil: na sombra da bananeira

Obrigado, Evo Morales

O cancelamento do programa FX

As opiniões expressas neste artigo reflectem posições e pontos de vista que não são necessariamente os do Areamilitar.net, podendo mesmo ser contrários. A exposição de todos os pontos de vista e opiniões sobre questões militares e de geopolitica ou geoestratégia, é defendida pelo Areamilitar.net, e este espaço é disponibilizado com esse objectivo. As opiniões serão escritas na língua portuguesa, bem assim como os comentários.
Direito de resposta:
É reconhecido o Direito de Resposta, nos termos da Lei, a qualquer entidade que o deseje utilizar, devendo para o efeito ser efectuado um contacto através da caixa de contactos na página principal. Devem ser indicadas as razões pela qual o requerente solicita o uso desse direito, devendo de seguida ser enviado o texto correspondente.