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T-14 Armata

por Paulo Mendonça
07.05.2015



Primeiro novo tanque russo em 25 anos

Em 2015, um quarto de século após o colapso da União Soviética, o grosso da força de blindados do exército russo, continua a basear-se em versões modernizadas de carros de combate desenvolvidos na década de 1970. Muitos deles são de fato tanques produzidos nessa altura, mas que foram reconstruidos com novos sistemas.
Esta prática não é incomum nos exércitos do mundo e o exército americano já reconstruiu centenas de carros Abrams da 1ª geração (1980).

Desde o fim da União Soviética que a Rússia tem apresentado e introduzido várias tentativas para introduzir um novo carro de combate principal para substituir os carros do tipo T-64 / T-80 / T-72.

Até os chineses têm melhores tanques

O primeiro sinal de alarme veio quando os generais russos, fartos de receber viaturas antigas, cheias de electrónica moderna, mas sem espaço interior afirmaram publicamente que a industria russa já nem conseguia produzir tanques à altura dos últimos modelos russos.

Se é certo e reconhecido por todos que os modelo russos sempre foram inferiores a todos os carros de combate ocidentais, perder a competição para a China, foi algo difícil de digerir.
Os técnicos russos tentaram de emergência uma solução de recurso que resultou no T-90M, uma modernização do T-90S, que exteriormente apresentava uma rutura com a tradição, embora no interior praticamente não tivesse alterado os problemas em um milímetro.

A brecha de conceito e de doutrina entre os ocidentais e os russos nunca parou de se agravar depois da queda da União Soviética. O atraso cada vez maior, ainda que não reconhecido oficialmente, acabou sendo comprovado pelo continuo lançamento de modernizações e «upgrades», tentando demonstrar que finalmente a Rússia tinha conseguido desenvolver carros de combate capazes de competir com os modelos ocidentais.

Aparentemente, as tentativas falharam, o que levou a Rússia a tentar desenvolver novas ideias que pudessem de alguma forma alterar o desequilíbrio.

O T-14

A Rússia tinha vindo a desenvolver o conceito de tanque com uma torre não tripulada, mas problemas técnicos, não permitiram o seu lançamento até agora.
O novo tanque T-14 «Armata», de que várias derivações artísticas têm vindo a ser apresentadas durante a última década, aparenta ser a proposta russa, para conseguir uma viatura de combate capaz de enfrentar os carros de combate ocidentais e chineses.

Há no entanto que notar que o armamento do T-14, não é diferente dos carros atuais russos, consistindo numa peça de 125mm de alma lisa, utilizando um sistema automático de carregamento.
Ao retirar o pessoal da torre, foi ganho espaço para acomodar a munição, ainda que não se saiba exatamente quantas serão transportadas.

Vários relatórios sobre o desenvolvimento falam na futura incorporação de uma peça de 25mm na torre, que será utilizada para defesa anti-aérea.

Em termos tecnológicos o T-14 não tem novidades relativamente ao que foi já apresentado pela industria russa no último T-90MS. Interligação por rede de dados encriptados, permite à tripulação do veículo receber dados de outros veículos, e inclusivé receber informação dada por drones, que identificam potênciais inimigos nas proximidades, permitindo responder rapidamente.

O T-14 também aparenta ter dimensões superiores ao T-90. É visível a rutura com o tradicional sistema de suspensão de seis rodas laterais, já que o T-14 possui sete.

De longe a mais importante característica do novo tanque russo é a introdução de uma torre não tripulada. A utilização detse tipo de sistema já se tornou comum nos países ocidentais há muito tempo, mas apenas para sistemas ligeiros de metralhadoras pesadas ou canhões ligeiros de no máximo 30mm.

Embora o T-14 se mantenha mais baixo que os carros de combate ocidentais, mesmo com a exclusão da guarnição da torre, a viatura aparenta ser mais alta que os T-90. A torre é blindada e protege o sistema de carregamento automático bem como a munição.

Durante décadas, a explosão interna das cargas das munições dos tanques russos, tem sido uma característica distintiva, com as torres dos tanques a voar dezenas de metros, resultado das explosões. Ao retirar a tripulação da torre, o novo tanque russo deverá finalmente encontrar a proteção definitiva.

Conceito por provar

Resta saber se o conceito terá futuro. Os russos anunciaram que pretendem substituir todos os tanques T-90 ao serviço, por cerca de 2.000 destes novos T-14. O conceito do tanque com torre não tripulada, tem sido sempre olhado com desconfiança no ocidente, onde até o conceito do sistema automático de municiamento tem sido recusado.
Os principais tanques ocidentais (Abrams americano, Leopard-2 alemão e Challenger britânico) tem quase todos quatro tripulantes. Apenas a França com o Leclerc tem um tanque com apenas três tripulantes e sistema de carregamento automático.

Se os russos insistirem no conceito, o lançamento deste novo modelo poderá eventualmente vir a inspirar novos desenvolvimentos de sistemas deste tipo em todo o mundo.

Para já no entanto, não é previsível que venham a ser introduzidas modificações. A Rússia demorou um quarto de século até apresentar um novo tanque e não seria a primeira vez, que um novo tanque russo é anunciado com grande alarido, para depois, fruto da impossibilidade de produzir a viatura em série com uma qualidade aceitável, tudo voltar ao mesmo velho, seguro, ainda que ultrapassado T-72 e derivados.
Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 07.05.2015.


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