Brasil
Força Aérea

Brasil - Programa FX. O Sukhoi SU-35 será a melhor escolha ?

por Paulo Mendonça
23.08.2004


A defesa da capital brasileira, é assegurada desde o inicio dos anos 70 por uma esquadra de aviões de fabrico francês Mirage-5E BR (ver a ficha neste mesmo site, em Brasil-Força aérea). Estes aviões estão neste momento completamente obsoletos. Tendo isto em atenção o Brasil abriu um concurso internacional para o fornecimento de um número de entre 12 a 22 aviões de combate (interceptores). Concorrentes = = = = = = = Os concorrentes que se apresentaram, contam-se os seguinte aparelhos: Saab Grippen Lockeed F-16 C/D MIG-MAPO MIG-29 Avibrás/Sukhoi: SU-35 Embraer/EADS: Mirage-2000 Qualquer dos aparelhos tería vantagens sobre os actuais Mirage, no entanto, um deles, o SU-35 apresentado pela empresa brasileira Avibrás (famosa pelos seus sitemas de foguetes) e pela russa Rosboronexport, que vende o caça Sukhoi destaca-se. Vantagem táctica do SU-35 = = = = = = = = = = = = = = Num país como o Brasil, em que as distâncias a cobrir dentro do território do próprio país, se contam em várias horas, a vantagem de uma aeronave que consegue, desde Brasilia chegar a qualquer ponto do território Brasileiro, torna-se evidente. A velocidade e as prestações do SU-35 tornam-no no avião mais moderno e sofisticado da América Latina, e provávelmente de todo o hemisfério sul. As possibilidades de desenvolvimento parecem interessantes, e além do mais, a possibilidade de a Avibrás vir a incorporar técnología russa nos seus sistemas de armas de artilharia propulsionada a foguete e dos mísseis que tem nos seus planos, não deixam de ser argumentos de peso. O problema dos equipamentos russos = = = = = = = = = = = = = = = = = O principal problema que entretanto surge, tem a ver exactamente com a Avibrás, que na sua existência tem ganho fama de apresentar muitos projetos que no papel são equipamentos espectaculares, mas que depois, por falta de capacidade técnica ou capacidade económica, acabam não saindo do papel. Assim, a Avibrás é dona de vários projetos de grande interesse, mas que até ao momento parecem não ter passado da pranchetal. A juntar a isto, está um fabricante russo, que como todos os fabricantes russos da éra pós-soviética, têm em ideias e projectos espectaculares, o que normalmente lhes falta em dinheiro e racionalidade. O SU-35, parece ser extremamente sofisticado, mas é essencialmente um projecto. E como todos os projectos russos, deve ser aprefeiçoado antes que se torne verdadeiramente operacional. A Forma Russa e Soviética de desenvolver tecnología. = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Ainda hoje, no ocidente há equipamentos e ideias que são invejadas. Já durante os anos 90, por exemplo, mesmo com todos os milhões investidos nos programas espaciais norte-americanos, estes tiveram que reconhecer, que os seus motores de foguete continuavam a ser inferiores aos motores Russos. Portanto a técnología russa, não é de nenhuma forma inferior. O desenvolvimento da tecnología russa, é que pode ser um problema. Não pelo desenvolvimento em si, mas pela forma, e pelos métodos utilizados pelos russos. Desde os primórdios, enquanto que nos países do ocidente se opta por especificar, desenhar e calcular até ao milimetro todos os equipamentos e componentes de um veículo ou equipamento, na Russia, o sistema de desenvolvimento nunmca foi esse. Na Russia, desenha-se um projecto desde raiz, e depois constroi-se um protótipo. Coloca-se a funcionar e verifica-se o seu comportamento (normalmente trata-se de um teste destrutivo). Posteriormente os russos vão melhorando os projectos, até chegarem a um ponto de perfeição. Esta é a técnica utilizada na Russia desde os tempos da éra soviética, e é a razão pela qual por exemplo os tanque russos são todos parecidos, porque os russos têm esta tendência de “esticar” a vida útil de um equipamento, introduzindo melhoramentos Ad-eternum. Normalmente, preferem introduzir novos melhoramentos que desenhar algo de novo, exactamente por causa dos problemas que sempre encontram com o desenvolvimento e que são resultado da forma russa de desenvolver tecnología. Portanto, quando se considera esta questão, e considerando que o SU-35 é de facto um equipamento novo, quanto tenpo demorará até que os SU-35 possam voar (sem caír) nos ceus do Brasil? Neste caso, uma política de pés-no-chão não fará mais sentido, para um país que não tem exactamente muito dinheiro para gastar em desenvolvimentos dos aviões dos outros? Será sem dúvida um caso a seguir. Se o Brasil vier a optar por aquele que parecendo um óptimo negócio, não deixa de ser um negócio arriscado, o período de desenvolvimento deverá ser alvo das maiores atenções por parte das autoridades militares e da força aérea, não vá o SU-35 se transformar num elefante branco.
Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 23.08.2004.


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