Portugal
Sociedade / Política

A saída da GNR do Iraque na altura das eleições

por Pedro Brás
08.12.2004


A GNR no Iraque e um eventual novo governo em Portugal

O actual governo português, deu já a entender, que a saída das forças militarizadas portuguesas presentemente no Iraque, uma companhia com um total de 120 efectivos, integrada nos “Carabinieri” italianos, não deverá prolongar a sua permanência naquele país para lá das eleições que deverão ocorrer em 30 de Janeiro de 2005. As voltas e reviravoltas da política portuguesa, sempre tão profícua em acontecimentos estranhos, acaba produzindo uma realidade nova. Ou seja, as tropas portuguesas estarão prestes a sair do Iraque, exactamente durante o período eleitoral em Portugal.

Assim as eleições deverão decorrer no Iraque no dia 30 de Janeiro. Dependendo das datas, estas eleições decorrerão escassas semanas antes das eleições portuguesas. Ou seja, depois das eleições a GNR deve preparar-se para sair, o que demorará ainda algum tempo. Se no período eleitoral que se vai seguir, qualquer partido der indicações de transformar a questão da presença do contingente português no Iraque numa questão eleitoral, é muito possível que considerando o que ocorreu em Espanha, as atenções de algum movimento terrorista de cariz islâmico considere Portugal como alvo potencial para algum tipo de atentado, num pais que, pode não estar preparado para tal. A tradicional importância dada pelos portugueses ao futebol, para onde se transferiu o que resta de patriotismo e nacionalismo saudáveis, permitiu um policiamento e segurança durante o EURO-2004, que poderá não se repetir durante as eleições. Além do mais, num cenário completamente diferente, qualquer alvo será considerado como legítimo pelos terroristas islâmicos. Nada melhor, que um alvo fácil, onde depois se possa dar o exemplo português para o mundo. Islâmico. Não importará se as tropas se preparavam para sair ou não. Nada importará para a lógica terrorista. Só lhes interessará mostrar que matando policias, eles se rendem e se vão embora.

Assim, urge que os políticos demonstrem que ainda têm algumas gotas de massa cinzenta e de bom senso, evitando transformar a presença portuguesa no Iraque, num rastilho, que só ajudará o terrorismo internacional, e que pode, ao mesmo tempo matar portugueses inocentes.

Este texto é da autoria de Pedro Brás e foi publicado em 08.12.2004.


Últimos artigos de opinião sobre este tema

Álvaro Cunhal. Obrigado camarada

O voto de Portugal na ONU sobre a Palestina como membro observador

Proposta ao «Alcaide» da guerra das laranjas

Os portugueses que querem ser espanhóis…

Não nos podem prender a todos

Portugueses, esse povo de cobardes

É possível ser Traidor em Portugal ?

Saramago volta a profetizar o fim de Portugal independente

As opiniões expressas neste artigo reflectem posições e pontos de vista que não são necessariamente os do Areamilitar.net, podendo mesmo ser contrários. A exposição de todos os pontos de vista e opiniões sobre questões militares e de geopolitica ou geoestratégia, é defendida pelo Areamilitar.net, e este espaço é disponibilizado com esse objectivo. As opiniões serão escritas na língua portuguesa, bem assim como os comentários.
Direito de resposta:
É reconhecido o Direito de Resposta, nos termos da Lei, a qualquer entidade que o deseje utilizar, devendo para o efeito ser efectuado um contacto através da caixa de contactos na página principal. Devem ser indicadas as razões pela qual o requerente solicita o uso desse direito, devendo de seguida ser enviado o texto correspondente.