Portugal
Exército

Finalmente, vêm os PANDUR

por Rui Manuel Elias
09.12.2004


Ontem o Ministro da Defesa Paulo Portas anunciou em Benavente o vencedor do concurso para o fornecimento de blindados para o Exército e Armada, e que irão substituir as chamadas Chaimite.

Após meses de estudos, negociações e demonstrações, a decisão, não pelo modelo estéticamente mais belo (mas não é de beleza que se está a falar), nem possivelmente do melhor entre os melhores.

No entanto, creio não ter sido má escolha para as FA’s de Portugal.

Não irei falar das suas caractéristicas nem das suas capacidades, já que neste site se encontram as especificações e uma boa descrição dessas capacidades.

Não discorrerei se foi ou não a melhor opção, mas acredito que foi a que Portugal poderia ter encontrado sem colocar em causa a execução atempada de outros programas tão ou mais importantes que este.

Será sem dúvida uma novidade que finalmente se adquira uma plataforma capaz de servir bem, ainda que em diferentes versões, dois ramos das nossas FA`s e que nos possa dignificar lá fora, sempre que Portugal participe em missões de paz no quadro das Nações Unidas ou da NATO.

Foi finalmente tomada uma decisão estrutural ao nível do Exército, e que representa uma mais valia para a nossa economia.

Já em tempos se falou na possibilidade destes blindados poderem ser montados nas antigas instalações da Sorefame, aproveitando parcialmente a mão de obra dos trabalhadores daquela antiga unidade fabril.

Claro que para serem aproveitados, todas as linhas de montagem e equipamentos fabris terão que ser readaptados para a construção/montagem destas novas viaturas, bem como se terá que proceder a uma boa formação ao nível da mão de obra.

Uma boa decisão que agora se concretiza, a juntar ao anunciado contrato para breve da escolha para a arma ligeira que irá a substituir as velhas G-3, e que será a arma para os três ramos das FA’s, e ainda para a PSP e GNR.

E a isso juntarmos o anúncio de que brevemente será assinado com os ENVC o contrato para a construção do NavPol, que servirá os três ramos, e que dará ao país uma maior capacidade de projecção de forças, e de apoio a missões no exterior, podemos agora pensar que finalmente e após 30 anos de relativo abandono das FA’s ao nível de grandes aquisições, a tendência se começa agora a inverter.

Com a vinda dos EH-101, e num futuro temporalmente mais nebuloso, dos anunciados NH-90 para o Exército, ficaremos muito melhor que até aqui.

Ao longo desde 30 anos, e tirando de parte a boa compra das 3 Meko-200 e das esquadras de F-16, praticamente tudo ficou parado, sendo as FA’s um enorme sorvedouro de verbas para meras despesas de funcionamento, relegando-se o reequipamento para as calendas.

Agora as calendas parecem ter chegado ao seu termo.

Se de muitas coisas podemos acusar Paulo Portas, ao nível das suas ideias políticas, tenho que reconhecer que ao nível da pasta que abraçou em 2001, teve ideias, iniciativa, e que nem sequer a sua única atitude mais polémica, como o abandono de Portugal da participação do projecto do A-400 M pode ser condenada incondicionalmente.

Será pouco para as nossas necessidades futuras?

Creio que sim.

Mas tudo tem um princípio.

Espero sinceramente que este seja o princípio de uma base de partida para que em anos futuros Portugal possa ter as condições necessárias para possuir uma FA’s credíveis em número e sobretudo em qualidade.

Que não seja apenas o termo de um processo que só será depois recuperado daqui a mais uns 30 anos.

Ou seja, que não se trate de um ponto de chegada, mas de um ponto de partida.

E sobretudo, que a classe política, independentemente das simpatias ou antipatias politicas sobre quem tomou estas decisões, saiba no futuro honrar estes compromissos, e não deite a perder o que agora parece ter entrado nos carris do futuro militar.

Este texto é da autoria de Rui Manuel Elias e foi publicado em 09.12.2004.


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