Portugal
Marinha

O Navio Logístico da Marinha: É bom, mas é pouco

por Pedro Brás
24.12.2004


Uma das compras mais faladas nos meios das Forças Armadas e da Marinha Portuguesa, em particular, é a do Navio de Apoio Logístico, vulgo NAVPOL. Um dos argumentos avançados, é o de que se trata de um meio que permitirá ás Forças Armadas, apoiar e levar a cabo, operações de salvamento e apoio em situações de catástrofe.

De facto assim é. E para dizer a verdade, provavelmente, nem se lhe pode chamar um navio de guerra. Com efeito, embora esteja previsto como navio armado e capaz de transportar meios militares, o NAVPOL, é acima de tudo um cais e ai mesmo tempo uma doca flutuante.

No seu interior, podem ser transportados veículos blindados de vários tipos, que podem ser desembarcados por lanchas que o próprio NAVPOL também transporta no seu cais interior.

Este meio naval, pode ser de um valor inestimável em situações de catástrofe, onde tenham por exemplo sido atingidos hospitais ou centro de saúde, e portanto ficado inoperacionais, ou em lugares onde tenham ocorrido catástrofes, a considerável distancia de hospitais ou centros de apoio, tendo sido destruídas estradas.

A Marinha, tem nos seus planos a aquisição de um navio com estas características.

Outras marinhas europeias, têm igualmente os seus planos para a aquisição ou aumento do numero de unidades. Espanha, França, Holanda e Reino Unido já dispõem de unidades operacionais. A França já lançou a sua segunda geração de navios com estas características, e a Espanha prepara-se para encomendar um navio ainda maior que os dois com que conta actualmente.

Portugal, tem planos para ter apenas um. Trata-se provavelmente do mais útil meio naval que a Marinha Portuguesa poderá ter no futuro, e a existência de uma unidade, implica que quando o navio estiver em reparação e/ou manutenção, o país não poderá contar com este meio.

O preço de um navio com estas características é relativamente reduzido, (200 a 250 milhões de Euros) tendo em consideração o seu tamanho e as suas capacidades.

A necessidade de um segundo NAVPOL, completamente desarmado que pudesse ser dedicado exclusivamente a apoio a civis, podendo em caso de necessidade ser militarizado, é uma adição necessária a um NAVPOL militar que pode servir para apoio a civis, em caso de catástrofe. Tal navio, que seria uma Unidade Auxiliar da Armada, por ser desarmado, poderia ter o seu custo reduzido a um valor entre 100 a 150 milhões de Euros, preços aproximados dos navios britânicos da frota auxiliar.

De outra forma, podemos sempre correr o risco de ter meios, mas por razões técnicas e operacionais, não podermos contar com eles em caso de necessidade.

Este texto é da autoria de Pedro Brás e foi publicado em 24.12.2004.


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