Portugal
Marinha

Fragatas da classe Oliver Hazard Perry - Para que servem ?

por Pedro Brás
29.08.2004


A marinha portuguesa deverá incorporar em 2005 a primeira de duas fragatas da classe Oliver Hazard Perry, que deverão render as duas fragatas da classe João Belo, presentemente ainda em operação. As fragatas da classe Oliver Hazard Perry, são navios norte americanos, que entraram ao serviço no inico dos anos 80, no auge da guerra fria. Estas fragatas foram feitas com o objectivo de reduzir custos, sendo fabricadas em “modulos” separados, posteriormente juntos. Uma técnica que hoje é bastante comum, mas que na altura era considerada revolucionária. São navios que, segundo o conceito inical de utilização, serviriam para complemento de escolta de esquadra. Ou seja, juntamente com os porta-aviões e com os contra-torpedeiros e cruzadores que o acompanham, devería ser um navio com capacidade quier anti-aérea quer anti-submarina, mas também anti-navio. Para o efeito, as fragatas Perry foram dotadas de um lançador de mísseis, que pode lançar vários tipos de mísseis, conforme o tipo de alvo a atingir, um radar de longo alcance e um equipamento de sonar, além de uma peça de artilharia de 76mm. Fragatas antiquadas? = = = = = = = = = = As fragatas Perry, com mais de 20 anos de idade, não são neste momento navios especialmente modernos. Os seus mísseis anti-aéreos, são em termos tecnológicos, bastante inferiores aos equipamentos mais recentes e os sistemas electrónicos, sofrem tanbém dessa desactualização. Não se conhece o estado dos cascos e o estado de conservação geral dos navios, que, sendo americanos, normalmente implica que são bastante mal tratados. Ainda servem para alguma coisa? = = = = = = = = = = = = = = = = = Embora não sejam navios muito modernos, também não deixa de ser verdade que se trata de navios que substituem as fragatas da classe João Belo, dos finais dos anos 60, que na altura em que foram compradas, eram já equipamentos com algum grau de obsolescência, pois embora tivessem artilharia moderna, não estavam equipados com qualquer tipo de míssil anti-navio ou anti-submarino, quando tal se começava a tornar norma nas marinhas europeias. Portanto, trata-se de uma substituição de navios que na realidade não têm qualquer utilidade militar por duas fragatas, que, não sendo navios modernos, estão a anos-luz de distância das João Belo. Uma só fragata Perry, é do ponto de vista militar, mais valiosa que todas as quatro fragatas João Belo juntas. Outra comparação é a do deslocamento total. Duas fragatas Perry deslocam um total de 7.000 toneladas. As quatro João Belo, deslocam um total de 9.000. Em termos de navios de combate e escolta, a marinha passará de um total de três navios (as actuais fragatas MEKO-200 Vasco da Gama) para um total de cinco. Ou seja,quase duplicando a sua capacidade. Em termos práticos, a marinha que tem normalmente uma fragata em prontidão, outra de reserva e uma terceira em manutenção, poderá passar a ter uma ou duas fragatas em prontidão, uma ou duas de reserva e duas em manutenção. Em termos de capacidade efectiva, é um aumento considerável, se a manutenção e operacionalidade dos navios não for reduzida por qualquer problema logístico, politico ou financeiro. Portugal deve modernizar as Perry ? = = = = = = = = = = = = = = = = = = A resposta mais óbvia é: Não Trata-se de navios com um periodo de vida útil relativamente curto. Outras marinhas vão modernizar as suas fagatas Perry, no entanto nesses casos trata-se de cascos mais modernos, com uma vida util previsível muito maior. A opção máis lógica da marinha portuguesa é tentar garantir a operacionalidade destes navios, estabelecendo relações com as marinhas que operam este tipo de navio, no sentido de garantir a sua operacionalidade. As marinhas que utilizam as Perry são as da Espanha, que tem seis navios, adquiridos novos e a Turquia e a Polonia, que também operam fragatas Perry Ex-US Navy. As fragatas Perry utilizam mísseis anti-navio Harpoon (idênticos aos das fragatas Vasco da Gama) e mísseis SM-1 anti-aéreos, quem têm um alcance efectivo maior que os mísseis Sea-Sparrow das Vasco da Gama. O radar das fragatas Perry, também será o radar mais potênte instalado em navios da marinha portuguesa. E depois destas fragatas, o que as vái substituir? = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Naturalmente, trata-se de futurología tentar determinar quais serão as futuras substitutas das fragatas Perry da marinha. No entanto, há que considerar que a aquisição futura de um Navio de Apoio Logístico para a marinha, implica a necessidade de navios com capacidade para defender e proteger tal meio. Um navio com esse objectivo deve estar preparado para se defender (e defender uma determinada área) utilizando um conjunto de mísseis anti-navio e mísseis anti-aéreos que possam ser eficazes tanto contra aviões como contra mísseis anti-navio que se aproximem. Estes dois navios, se a marinha de guerra portuguesa quiser continuar a ter alguma importância estratégica no Atlântico-Norte, deverão ter que ser substituidos por dois navios com características anti-aéreas como as LCF holandesas as Alvaro-de-Bazán espanholas ou as Horizon franco-italianas.
Este texto é da autoria de Pedro Brás e foi publicado em 29.08.2004.


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