Portugal
Sociedade / Política

Cancelar programas de armamento. E já agora, limpar a casa...

por Paulo Mendonça
20.06.2005


Confirmam-se as análises realizadas anteriormente, sobre as intenções do Ministério da Defesa, sobre a aquisição de fragatas em segunda mão, bem como sobre a aquisição de viaturas sobre rodas para o exército.
Os cortes ou adiamentos eram esperados e não constituem por isso surpresa. É sabido que as Forças Armadas são sempre, a primeira vitima, quando há necessidade de cortar no orçamento, para reduzir as despesas do Estado.

Não se pode dizer que seja uma decisão errada, porque quando se pedem sacrifícios a todos os ministérios, nenhum deles deve deixar de fazer o que for possível para reduzir custos e cortar despesas.

O que se pode exigir, é que se faça também nas Forças Armadas, em todos os seus ramos, uma análise sobre os gastos, os salários, e os custos com as despesas correntes, que são muitas vezes completamente desajustados para um exército que há muito tempo não entra em qualquer acção militar de relevo.

A decisão de unificar os três subsistemas de saúde das Forças Armadas, é desde logo uma decisão adequada e correcta do ponto de vista da racionalidade, que deve pautar todas as acções de organização e reorganização das Forças Armadas. Não é apenas importante mostrar novos programas e dizer que são necessários novos ,meios, veículos navios e aviões. É igualmente importante mostrar vontade de atacar os problemas igualmente graves que desde há muitos anos enfermam as estruturas das Forças Armadas.

A decisão de criar um Quartel General conjunto, é absolutamente lógica num país com uma estrutura militar cada vez menor, o que só por si é razão para concentrar e gerir de forma coordenada, recursos que já de si são poucos.

A eliminação de estruturas obsoletas, que ainda são resultado de uma superestrutura criada para combater numa guerra que começou há mais de quarenta anos e que acabou há já trinta, também é bem vinda.

Como no funcionalismo público, em geral, também nas Forças Armadas se criaram quistos, calosidades e tumores, resultado do imobilismo e dos interesses corporativos de Oficiais dos vários ramos das Forças Armadas, que antes de pensar no país, pensaram nos seus interesses pessoais.

Esperemos para ver, se como tem acontecido por todo o país, onde os interesses das corporações têm-se vindo a fazer sentir, e ouvir, também as corporações das Forças Armadas, se levantarão em nome dos interesses instalados. Interesses instalados, que defendem o Status Quo vigente, porque beneficiam de benesses que o país lhes atribuiu, mas que na realidade nunca teve dinheiro para pagar.

É importante efectuar uma limpeza em toda a administração pública, e também nos três ramos das Forças Armadas. Caso contrário, continuaremos a viver num país, onde os gastos militares, são apenas para pagar salários a grandes quantidades de militares desarmados, que estão nas Forças Armadas, não para defender os interesses do país, mas para receber um salário ao fim do mês.


Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 20.06.2005.


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