Portugal
Sociedade / Política

Só o dinheiro move os mercenários

por Paulo Mendonça
11.08.2005


Portugal arde, o petróleo sobe de preço, o déficit do estado, não é controlável. As despesas das Forças Armadas, vão praticamente todas para pagar salários, as empresas espanholas, controlam cada vez mais a nossa economia e lançam portugueses no desemprego, o país sofre de um gravíssimo problema de auto-estima, os portugueses andam deprimidos. Alguns, como o anterior Presidente da República Mário Soares, já falam (ou falaram) em Golpe de Estado.

No entanto, com uma situação infelizmente longe de favorável, numa altura em que é de esperar que quem pode fazer algum tipo de esforço o faça, fomos todos presenteados com uma rebelião aberta de militares das Forças Armadas. A rebelião foi aberta, à luz do dia, sem qualquer tipo de pudor ou respeito pelas regras, pelas leis e pelos regulamentos militares.

Qual defesa da pátria, qual defesa de princípios, qual amor à nação ou ao povo. Não havia ali honra, nem moral, apenas gente, uma espécie de Zé povinho que foi para a tropa apenas pelo dinheiro, e perante dificuldades, vai para a rua, qual ralé controlada por um partido político, numa manifestação totalmente ilegal fazer um manguito ao Governo, ao Estado e ao país que jurou defender.

Há algum tempo, assistimos a um espectáculo igualmente degradante, com agentes da policia a insultar os membros do governo, a marchar desordenadamente pelas ruas, a interromper o trânsito, numa desordem miserável, digna de qualquer gang de crianças do ensino secundário.

Quer o caso das policias, quer o caso de alguns militares revoltosos das Forças Armadas que se passearam arrogantemente pelas ruas, alheios à Lei e à Ordem, que também juraram defender, são infelizmente sinais perigosos de desagregação e dissolução da autoridade do Estado Português.

Quando aqueles que juraram defender a Lei, não a defendem, os cidadãos podem começar a perguntar quem é que de facto manda no país.

Como consolo, resta-nos pensar que a maioria dos policias e a maioria dos militares, não está solidária com aqueles que de uma forma tão miserável, demonstraram o seu desprezo por Portugal e pelos portugueses, demonstrando que para eles, o dinheiro está acima do país.

As forças Armadas modernas, 100% constituídas por militares contratados, têm naturalmente casos destes. É impossível evita-los. No entanto é possível corrigir este tipo de situações, expulsando os prevaricadores.

Quem não é capaz de fazer algum tipo de sacrificio em tempo de paz, estará entre os primeiros ratos a fugir em tempo de guerra.

O país paga ao seus militares, a pessoas para as quais o Juramento de Bandeira tem algum significado.

Mas esse mesmo país não pode sustentar mercenários como aqueles que andaram pelas ruas de Lisboa em 10 de Agosto de 2005.


Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 11.08.2005.


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