Portugal
Exército

Em nome dos que ficam em casa!

por Paulo Mendonça
21.09.2005


A comunicação social, apresenta-nos as recentes movimentações de militares como se fossem uma acção organizada por todos os militares de todos os ramos das Forças Armadas.

Os dirigentes das organizações ditas associativas, apresentam-se como líderes de todos os militares, que não as chefias.

Parece que nos pretendem dar a entender que nas Forças Armadas só existem militares associados ou sindicalizados, e chefias, não existindo absolutamente mais ninguém, nenhuma outra sensibilidade, nenhuma outra forma de olhar para os problemas das Forças Armadas que não seja a das chefias, (necessariamente dependente do poder político) ou a das associações (sindicais), ditas sócio-profissionais.

No entanto, quantos militares representa a Associação de Oficiais e a Associação de Sargentos das Forças Armadas?

Quantos milhares de militares portugueses, que têm orgulho em vestir uma farda - porque o seu uso implica que são pessoas que, acima das outras, estão na disposição de fazer sacrifícios pelo país - se revêm nas manifestações sindicais de um grupo de oportunistas?

Quantos milhares de militares portugueses se sentem vexados pela acção de grupos de pressão, que se arvoram em defensores dos militares, dando a todo o país a ideia de que as Forças Armadas estão em pé-de-guerra, contra o país que juraram defender?

Quantos são aqueles que não falam, porque respeitam o juramento que fizeram, e que como militares com M maiúsculo, cumprem?

Alguém sabe quantos são aqueles cuja voz não se houve, porque acham que a sua voz não se deve ouvir, mas que continuam fieis como sempre ao seu país?

É muito mais fácil, para as noticias nos jornais e para os debates na TV falar dos militares - de todos os militares - como se todos estivessem de acordo com as acções levadas a cabo por alguns, de forma tão patética, que acabam a esconder-se debaixo das saias das suas esposas, ridicularizando toda uma classe, que deve ser respeitada porque respeita, reverenciada porque reverencia valores, e tida como reserva moral da Nação, porque tem a moral que decorre do respeito que tem pelas instituições, pela hierarquia, e pelo Estado de Direito Democrático que temos, por muitos problemas que ele tenha.

Os cidadãos não devem pensar que todos os militares se revêm neste grupo de pessoas que ultrapassou todas as marcas e todas as regras, porque colocou o dinheiro e objectivos corporativos, acima de interesses muito maiores. Interesses que qualquer militar honrado, defende acima de tudo e apesar de tudo.


Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 21.09.2005.


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