Portugal
Marinha

Portugal sem submarinos

por Paulo Mendonça
10.12.2005


Com a última viagem do NRP Delfim, a marinha de Portugal, fica a contar com apenas um submarino, o NRP Barracuda, e mesmo assim, esse submarino encontra-se presentemente em reparações com vista a permitir à marinha manter pelo menos tripulações minimamente aptas.

Pagamos com o quase desaparecimento da arma submarina, anos e anos de indecisão, em que os governos de Portugal, optaram por obras de fachada, por gastar dinheiro em acções de formação profissional que não formaram ninguém e se limitaram a apoiar as carteiras de alguns.

Anos em que nem se atou nem se desatou, empurrando os problemas com a barriga, olhando para o lado, e assobiando distraidamente, como se os problemas desaparecessem com os assobios.

No caso dos submarinos, no entanto, há males que vieram por bem. O atraso, acabou por permitir a opção pelos futuros submarinos U-209PN, uma versão do submarino U-214 do fabricante alemão HDW.

Aliás, a diferença a nível de tecnologia entre os actuais submarinos e os futuros é de tal forma abissal, que provavelmente de pouco servirá manter a “valência” e as tripulações treinadas.

Há uma diferença tremenda entre os futuros submarinos e os velhos. Tão grande, que há mesmo valências, em que estão neste momento mais preparados e treinados os militares que servem a bordo das fragatas Vasco da Gama, que os militares que servem a bordo dos actuais submarinos.

A manutenção da esquadrilha, justifica-se mais porque mantém a estrutura preparada para receber as novas unidades, que por razões técnicas.

No entanto, os futuros submarinos, são também armas eficientes e capazes. Darão a Portugal capacidades novas, que se bem aproveitadas, permitirão por mais umas décadas, garantir o controlo do mar que une o continente às ilhas, e garantir, por mais uns anos alguma independência que ainda vamos conseguindo ter.


Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 10.12.2005.


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