Medio Oriente
Marinha

O que aconteceu à corveta israelita Hanit ?

por Paulo Mendonça
18.07.2006


Os danos provocados a uma corveta da marinha de Israel por projecteis com origem em terra, alegadamente disparados pelo movimento integrista islâmico Hezbollah, levantam várias duvidas sobre a qualidade dos sistemas a bordo do navio da marinha de Israel, nomeadamente por ele ser um dos mais modernos navios de guerra em operação no mediterrâneo.

As fragatas da classe Eilat, foram fabricadas nos Estados Unidos e transportadas para Israel onde a maioria dos sistemas electrónicos foram instalados.

Pode-se dizer que se trata de uma montra da tecnologia israelita, com os seus radares Elta e os seus mísseis Barak, que são exactamente os sistemas que supostamente deveriam identificar os mísseis e disparar contra eles.

Ao que se sabe, ao principio da noite, quando a maior parte da tripulação se preparava para festejar a bordo o Sabath judaico, a fragata foi violentamente sacudida por uma explosão.

Nenhum dos relatos conhecidos refere a existência de qualquer disparo por parte dos sistemas do navio, pelo que parece lógico concluir que estes não funcionaram.

O engenho que explodiu, danificou a parte traseira da corveta e o sistema propulsor, em principio os motores Diesel, o que levou a que a corveta tivesse que ser rebocada até Haifa.

De entre as várias possibilidades uma das que faz mais sentido é a que considera que o ataque foi efectuado com dois mísseis diferentes, descrevendo trajectórias diferentes, com o objectivo de confundir o sistema de defesa da corveta.

Assim, o primeiro míssil, que poderá ter sido um C-802, que é um missil anti-navio fabricado na china e inspirado no Exocet MM-40 de fabrico francês. Esse primeiro míssil terá descrito uma trajectória a maior altitude, mas provavelmente por causa do desenho Stealth da corveta, não a identificou, e prosseguiu o voo até atingir um navio civil de bandeira egípcia, que foi afundado praticamente no limite do míssil, a cerca de 40Km da costa.

O segundo míssil, mais pequeno e de voo rasante, poderá ter sido disparado utilizando controlo por infravermelhos ou controlo por câmara de televisão. Desta forma, não seria necessária a utilização de nenhum outro tipo de sistema emissor (radar) que pudesse ser detectado pela corveta.

Várias fontes, afirmam que a corveta Hanit, não tinha os seus sistemas defensivos ligados, porque não era previsível que um ataque com aquelas características ocorresse, reduzindo assim a assinatura da fragata em qualquer sistema de radar.
No entanto, mais recentemente, novos dados afirmam que os sistemas de defesa estavam de facto ligados, mas que não tinham sido introduzidos os dados que permitiriam identificar o tipo de míssil ou mísseis anti-navio que foram utilizados contra a corveta.

Ou seja: A corveta estava pronta para agir automaticamente contra ameaças como barcos ou lanchas guiadas, mas não tinha nos seus computadores o perfil de detecção que permitiria identificar um míssil C-802 (ou outro) e responder à ameaça da forma mais adequada.

A razão de o perfil daqueles mísseis não estar incluído nos sistemas, decorre de erros na informação disponível pelos serviços secretos de Israel sobre as reais capacidades que o movimento Hezbolah tem para manusear equipamentos com um considerável grau de complexidade tecnológica.

Em circunstancias normais o sistema de mísseis defensivos, deveria detectar os mísseis que se aproximavam e lançar vários mísseis anti-missil Barak na sua direcção com o intuito de os destruir.

O sistema Barak está ao serviço em Israel e também ao serviço em navios de guerra da marinha da India.

Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 18.07.2006.


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